Os últimos acontecimentos no PSD nacional mostraram - e penso que Alberto João Jardim tem que estar preparado para essa nova realidade - que os social-democratas vivem hoje numa situação de desespero, marcada por um desejo de ruptura com um passado que é responsabilizado pelas derrotas e pelo estado deprimente a que o partido hoje chegou. Estou cada vez mais convencido que o PSD nacional dos novos tempos pouco ou nada tem a ver com um PSD que há três anos elegeu Ferreira Leite com pouco mais de 30% dos votos nas directas e que assistiu a uma desistência de Jardim (a favor de Santana Lopes, que acabou por se revelar uma aposta desastrosa) de uma candidatura que deveria ter sido assumida, fosse qual fosse o desfecho. O PSD nacional não precisa de "salvadores da pátria" neste momento e nesta conjuntura política nacional. O PSD nacional precisa de resolver rapidamente a situação de impasse em que se encontra, mesmo correndo o risco - e admito que isso possa acontecer - de escolher mal. É importante que a gestão desta nova realidade obedeça a novas formas para que as surpresas não aconteçam e muito menos para que as desilusões deixem marcas. Bem piores que uma candidatura que não ganhasse. As reacções surgidas, a ausência de declarações que subscrevessem João Jardim e a forma como este terá saído do Conselho Regional, exigem que se pense muito a sério nas propostas antes delas serem feitas. Congressos extraordinários convocados para discutir o sexo dos anjos ou para tentar impor desonestamente aos filiados candidaturas únicas mais do que um absurdo é uma perda de tempo, como temos visto. Passos Coelho não desiste das sua ambição de ser eleito líder do PSD, mais por vontade dos que o utilizam como marionete do que por alguma convicção pessoal. E quanto aos outros dois, é óbvio que eles estão envolvidos numa disputa pessoal em que qualquer retrocesso (desistência) será sempre considerado uma derrota política e pessoal que nenhum deles está disposto a protagonizar. Aliás, há três anos, quando MFL foi eleita, não eram 4 os candidatos? E porventura o PSD foi alguma vez um partido unido?
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