quinta-feira, setembro 10, 2009

Jedidi: a angústia do avançado antes de um penálti

Com o título "Jedidi: a angústia do avançado antes de um penalti. E se forem seis?", li no Jornal I um interessante texto que, pela curiosidade, não registo em, partilhá-lo, com a devida vénia aos autores: "Há cinco anos, um árbitro do Tahiti mandou repetir seis vezes uma grande penalidade no Sérvia-Tunísia dos Jogos Olímpicos-2004. É isso mesmo. Depois da angústia do guarda-redes antes do penálti, um livro de Peter Handke, adaptado pelo lendário Wim Wenders para o cinema, chega a angústia do avançado antes de seis penáltis. O actor principal é Jedidi, a meias com Charles Ariiotima, árbitro do Tahiti, e os secundários são mais que muitos, três deles nossos conhecidos, a começar pelo sportinguista Vukcevic, prosseguindo pelo ex-portista Stepanov (o número 4 da Sérvia e o mais refilão de todos) e pelo ex-setubalense Milojevic (o número 1 da Sérvia). Foi há cinco anos, num Tunísia-Sérvia do grupo C dos Jogos, mas para Jedidi até parece que foi ontem. Com 30 anos, o avançado recebeu o telefonema do i com surpresa. "Ça va bien? Portugais? Oh la la... Foram vocês que me roubaram o sonho de ser campeão africano pelo Étoile du Sahel." Às gargalhadas quase infindáveis e sempre sonoras, a explicação. "José, Mister José [Manuel José]. Em 2004, era para ser o meu ano. Em Janeiro, fui campeão africano de selecções pela Tunísia. Em Julho, fui aos Jogos Olímpicos. E em Novembro estava na final da Champions de África. Mas o Al Ahly venceu-nos e roubou-me outro sonho, o de ir ao Mundial de clubes, em Tóquio. Como é que posso ir a Japão sem ser em trabalho?", perguntou o divertido avançado, agora no Stade Tunisien. Sobre os seis penáltis de uma só vez, em Patras (Grécia), Jedidi continua mais divertido que nunca. "Acreditas que nestes cinco anos nunca mais marquei um penálti que fosse? Não é por casmurrice ou medo, simplesmente não se proporcionou!" E solta mais gargalhadas, audíveis até em Patras. Ou no Tahiti, onde mora Ariiotima. "Esse árbitro... Nunca mais o vi, mas disseram-me que se reformou. Pela sinalética dele, as repetições acumularam-se porque os jogadores invadiam a área antes do meu remate, mas isso é a coisa mais habitual no futebol. Nunca um penálti foi marcado sem quebrar essa regra. Só se for num desempate. Ainda me lembro do ar decidido dele quando anulou os cinco penáltis. Os sérvios a protestarem e ele impávido e sereno. Parecia um polícia-sinaleiro." Um, dois, três, quatro, cinco... Na história do penálti mais longo da história, Jedidi marcou os primeiros três. O quarto foi defendido por Milojevic. O quinto idem, mas Jedidi marcou na recarga, e de cabeça. À sexta, foi de vez. Jedidi marcou e a Tunísia passou para a frente do marcador (2-1), aos 83 minutos. Vukcevic, que ainda não sonhava com o Sporting nem vice-versa, ainda fez o empate aos 87', mas Ali Zitouni garantiu o triunfo dos africanos em cima dos 90'. Foi 3-2, mas todo este drama foi em vão. "As duas equipas foram eliminadas e quem passou aos quartos-de-final foram a Argentina e a Austrália", diz Jedidi, desta vez com voz séria".
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