O semanário Expresso abordou na sua última edição o tema da actualidade com o título "O espião que veio do nada" da jornalista Rosa Pedroso Lima: "Quem é o desconhecido adjunto de Sócrates que teve um “comportamento estranho” numa viagem presidencial e, só por isso, sustenta a teoria da conspiração? Quarta-feira, 19 de Agosto de 2009, Rui Paulo Figueiredo saiu em grande de 37 longos anos de anonimato. Passou de discreto militante socialista e desconhecido “adjunto e assessor em diferentes gabinetes de membros do Governo” (segundo reza a sua biografia oficial não especificando) para ser dado como o “espião” responsável pelo maior desconforto entre Belém e São Bento desde a chegada de Cavaco à Presidência. O comportamento “estranho” de Rui Paulo numa viagem presidencial feita há um ano à Madeira terá sido suficiente para fazer soar as campainhas de alarme dos assessores de Belém, que, segundo fontes tão anónimas como ele, admitem estar “sob escuta ou controlados” pelo Governo. Mas, afinal, quem é este personagem? A resposta é mais difícil de dar quando o próprio, apesar do novo estatuto de figura pública, se recusa a falar. Resta, assim, o rasto que foi deixando como biografia na sua actividade política e académica. E, com estes poucos dados, quem goste de alimentar folhetins tem pano para mangas, detectando pistas de ligações entre Rui Paulo, Cavaco e a Presidência, Sócrates e o PS. Desde logo, com a proximidade de militante com o próprio palácio presidencial: Rui Paulo Figueiredo pertenceu ao núcleo socialista de Belém. Podia ver-se um sinal, mas a verdade é que o militante também passou pelo núcleo do Alto de São João, de onde, aliás, partiu como candidato suplente nas listas para as autárquicas. As voltas da vida política acabariam por levá-lo a substituir Manuel Maria Carrilho e a avançar para a vereação, onde deixou como principal marca “o primeiro blogue” da autarquia — “Lisboa quem te viu e quem te vê” —, que visava ser “um meio de comunicação com a cidade”. A conversa foi, porém, breve e interrompida pela demissão em bloco dos vereadores socialistas, três meses depois de Rui Paulo ter entrado na Câmara. Há ainda o seu percurso académico: foi assistente de Direito na Universidade Independente — a do primeiro-ministro — e acabou a defesa da sua tese de mestrado no ISCTE (uma escola de muitos nomes socialistas) com “Aníbal Cavaco Silva e o PSD”. A intriga política poderia vibrar aqui, imaginando as longas horas de contacto com o actual Presidente ou de aproximação aos arquivos secretos do PSD para recolha de informação. Nada mais falso. A tese, publicada em 2004, é um exercício académico baseado em bibliografia pública e jornais, de que se pode concluir que a aproximação do militante socialista a Cavaco não foi além da leitura dos oito livros publicados até então pelo próprio, nomeadamente a autobiografia e os entediantes calhamaços de discursos e programas de reformas. A tese nem é crítica, só mesmo descritiva e em quase 400 páginas atinge finalmente uma conclusão que tem tanto de óbvio com de consensual: uma democracia consolidada permite Governos mais estáveis que, por seu lado, fazem reformas mais duradouras. “A análise que procurei fazer da acção de Aníbal Cavaco Silva e dos Governos do PSD, na fase de persistência, permitiu concluir que, apesar de inúmeras matérias em que poderiam ter feito mais e melhor, realizaram significativos avanços na modernização (...) que produziram efeitos de longo prazo no regime democrático”. Os registos on-line revelam ainda que Rui Paulo é director do Instituto Transatlântico para a Democracia, colaborador da revista “Segurança e Defesa” e da Fundação Luso-Americana. Foi ainda um dos poucos sportinguistas a ver a sua pergunta seleccionada — entre 800 — para uma entrevista on-line ao treinador. A marca de político não o abandonou: “A equipa faz tudo por si, tal é a devoção à sua liderança? Está aí um dos segredos?”, perguntou".
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