sexta-feira, janeiro 09, 2009

BPN: Berardo safou-se de boa?

Tudo indica que sim. Segundo o Jornal de Negócios que "a colecção "egípcia" que o BPN comprou chegou a ser oferecida a Joe Berardo, em 2004, mas o negócio falhou porque o empresário queria avaliar as peças no estrangeiro e o vendedor nunca as deixou sair do país. "O Sr. Berardo queria levar as peças para Paris, para fazer a avaliação. Mas nós não quisemos que saíssem do país, porque existem meios em Portugal para fazer o processo de certificação e avaliação", afirmou à Lusa o arqueólogo Manuel Castro Nunes, que foi incumbido pelo proprietário da colecção de fazer a avaliação e de mediar a venda das mesmas. Para sair do país, qualquer peça arqueológica encontrada em Portugal necessita de uma autorização temporária concedida pelo Instituto Português de Museus. De acordo com o arqueólogo, o negócio com Berardo não se concretizou, tendo de seguida o Banco Português de Negócios (BPN), então liderado por José de Oliveira e Costa, manifestado interesse pela colecção, a qual adquiriu por 5 milhões de euros, entre 2004 e 2006. Questionado pela agência Lusa, Joe Berardo, que além de empresário, é um dos maiores coleccionadores de arte portugueses - sendo proprietário da Colecção Berardo, actualmente exposta no Centro Cultural de Belém -, confirmou que na altura lhe foi proposta a venda das peças por parte de um coleccionador nacional. "Achei as peças interessantes e entrei em contacto com especialistas franceses para fazerem a avaliação", afirmou à Lusa o empresário madeirense. "Mas depois o negócio não foi em frente, porque houve outra proposta", disse ainda o investidor, acrescentando que desconhece se a colecção é genuína ou não e que considera que "ninguém em Portugal pode certificar que as peças são verdadeiras". "Não tenho conhecimentos para dizer que essa colecção é autêntica ou não. Até mesmo para a arte contemporânea preciso da ajuda de especialistas antes de comprar uma obra", acrescentou Joe Berardo. Segundo Manuel Castro Nunes, antes das negociações com Joe Berardo, as peças foram apresentadas a João Ernesto Estrada, presidente da Fundação Ernesto Estrada, que possui uma das maiores colecções de antiguidades nacionais. Contactado pela Lusa, João Estrada confirmou os contactos e disse que apenas não comprou as peças porque o vendedor "pedia mais do que estava disposto a pagar". A colecção, que integra o conjunto de activos que foram classificados como "extravagantes" pelo actual presidente da Sociedade Lusa de Negócios, Miguel Cadilhe, é composta por várias dezenas de peças trabalhadas em ouro que alegadamente remontam à Idade do Cobre (calcolítico) e por estatuetas em pedra que representam a deusa da fertilidade. Luís Raposo, director do Museu Nacional de Arqueologia, que analisou as peças em 2005, disse à Lusa que muitas delas são falsas e outras levantam as maiores dúvidas quanto à autenticidade. O BPN comprou esta "colecção de arte 'egípcia'" por cinco milhões de euros, durante a presidência de José de Oliveira e Costa. "O que lhe posso dizer, através dos contactos que fiz e das fotografias que vi dessa colecção, e sobretudo do relatório da conservadora do Museu Nacional de Arqueologia que encarreguei de estudar o assunto, é que tenho a convicção absoluta e noutros casos a certeza, de que são peças na maior parte falsas, não são autênticas", afirmou Luís Raposo"

Sem comentários:

Enviar um comentário