sexta-feira, setembro 19, 2008

Subida eleitoral dos comunistas?

Li hoje na imprensa regional que o presidente do Governo Regional "manifestou ontem a sua preocupação pelo facto de as últimas sondagens indicarem uma intenção de voto de 20 por cento no conjunto das várias organizações comunistas nacionais, estranhando, por outro lado, a passividade "dos empresários e das pessoas que vivem em liberdade" perante este tipo de indicadores. Alberto João Jardim lembrou que esta intenção de voto "não sucede em mais nenhum país da União Europeia, nem em nenhum outro país democrático", considerando que tal representa "viver em cima de uma autêntica panela de pressão". Para além das asneiras que em Lisboa têm aumentado a onda de insatisfação dos cidadãos, levando o protesto a sectores da população que se mantinham afastados da política, há que ter presente um outro fenómeno que, concorde-se ou não, é real tal como Constança Cunha e Sá há dias abordava no Publico: "Esta semana, também, foi publicada uma sondagem, no Correio da Manhã, que para além de assegurar a vitória do PS e a descida do CDS e do PSD, confirma, mais uma vez, o peso eleitoral do PCP e do Bloco de Esquerda, que, juntos, conseguem obter cerca de 20 por cento das intenções de voto. O Partido Comunista, em particular, surge em terceiro lugar, com um resultado superior a dez por cento, como, aliás, já tinha acontecido numa sondagem anterior. É verdade que, com o tempo, a popularidade de Jerónimo de Sousa deixou de ser uma "novidade", transformando-se num facto normal e previsível que já não suscita a admiração de ninguém. No entanto, a persistência do fenómeno não só não lhe retira singularidade como lhe acrescenta relevância política. O voto de protesto, embora explique parte do sucesso, não justifica, por si só, a capacidade de mobilização que tem, neste momento, o partido.Ao contrário do Bloco de Esquerda, que sempre beneficiou do interesse dos jornalistas, o PCP, visto como uma aberração ideológica, foi durante muito tempo um partido ignorado, incapaz de contribuir para um debate sério sobre o desenvolvimento do país. Envelhecido, desprovido de quadros e sem intelectuais ao dispor, o PCP parecia ter os dias contados: para todos os efeitos, era uma espécie de relíquia histórica que mais tarde ou mais cedo acabaria por desaparecer, levado pela inflexibilidade de uma ortodoxia que se recusava a evoluir. Quando Carlos Carvalhas, o espelho do impasse em que se encontrava o PCP, abandonou a liderança, foi substituído, como se disse, pela velha guarda do partido. Imune às subtilezas da teoria, Jerónimo de Sousa confirmou as piores expectativas dos "renovadores". Com ele, os comunistas deixaram-se de evasivas ideológicas e, recuando no tempo, recuperaram acriticamente as suas teses do passado. Mas - e isso passou desapercebido - sem se preocuparem excessivamente com elas: o novo líder do PCP podia ser estalinista, sonhar com a antiga União Soviética ou defender regimes totalitários, mas nunca perdeu tempo a discutir o estalinismo, o modelo soviético ou o regime de Fidel". Um artigo de opinião que vale a pena ser lido. Finalmente, goste-se ou não, a coerência do discurso e a acutilância da mensagem política do PCP e de Jerónimo de Sousa, por exemplo aqui, neste video que a RTP difundiu sobre o Código do Trabalho. As pessoas têm medo, sentem-se ameaçadas, e PSD e PS não respondem aos seus anseios.

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