"O princípio da simpatia e antipatia tende ao máximo a pecar por severidade excessiva. Tende ele a aplicar castigo em muitos casos em que é injusto fazê-lo, e, em casos em que se justifica uma punição, a aplicar severidade maior do que a merecida. Não existe acto algum imaginável, por mais trivial e por menos censurável que seja, que o princípio da simpatia e antipatia não encontre algum motivo para punir. Quer se trate de diferenças de gosto, quer se trate de diferenças de opinião, sempre se encontra motivo para punir. Não existe nenhum desacordo, por mais trivial que seja, que a perseverança não consiga transformar num incidente sério. Cada qual se torna, aos olhos do seu semelhante, um inimigo e, se a lei o permitir, um criminoso. Este é um dos aspectos sob os quais a espécie humana se distingue - para seu desabono - dos animais. Por princípio de simpatia e antipatia entendo o princípio que aprova ou desaprova certas acções, não na medida em que estas tendem a aumentar ou a diminuir a felicidade da parte interessada, mas simplesmente pelo facto de que alguém se sente disposto a aprová-las ou reprová-las.Os partidários deste princípio mantêm que a aprovação ou a reprovação constituem uma razão suficiente em si mesma, negando a necessidade de procurar qualquer fundamento extrínseco. Isto, no sector genético da moral; na área específica da política, tais autores avaliam o grau da punição de acordo com o grau de desaprovação" (Jeremy Bentham, "Uma Introdução aos Princípios da Moral e da Legislação")
Já várias vezes tive a preocupação de referir que ninguém tem o direito - e se o fizerem são desonestos e hipócritas - um blogue pessoal e a minha liberdade, da qual nunca abdicarei enquanto tiver paciência para manter este espaço, com o que cada um faz na vida, quer profissionalmente, quer a outros níveis, nomeadamente o político. O que escrevo - no caso de opiniões pessoais - reflecte apenas a minha opinião, não vincula nada nem ninguém, nem sequer me preocupa saber se as pessoas concordam ou não. A opinião pessoal tem que estar de acordo com a nossa consciência e convicções e não tem que vaguear em função do que supostamente agrada ou não às pessoas. O problema é que, ressalvando situações perdidas e intratáveis, porque insistirão sempre em fazê-lo, continuam a subsistir algumas mentes mais tacanhas que não conseguem perceber que uma coisa não tem nada a ver com outra. O problema é quando demoram tempo demais a entender isso. Todos os outros blogues que por aí existem, ligados a partidos, a deputados, a dirigentes políticos, são para mim blogues pessoais. Nunca os utilizarei transformando a opinião que neles é livremente depositada pelos seus autores com a profissão de cada um deles ou com os partidos de que fazem parte, efectivamente, quando é o caso disso. Era o que me faltava, Nem tenho a presunção de andar armado em "pregador" de meia tigela. Tal como diz o padre António Vieira ("Sermões Escolhidos (Sermão da Sexagésima)", "para um homem se ver a si mesmo, são necessárias três cousas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e é cego, não se pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos, e é de noite, não se pode ver por falta de luz. Logo, há mister luz, há mister espelho e há mister olhos. Que cousa é a conversão de uma alma, senão entrar um homem dentro em si e ver-se a si mesmo? Para essa vista são necessários olhos, é necessário luz e é necessário espelho. O pregador concorre com o espelho, que é a doutrina; Deus concorre com a luz, que é a graça; o homem concorre com os olhos, que é o conhecimento".
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