domingo, agosto 24, 2008

JO-2008: histórias de Pequim


- Duas septuagenárias chinesas condenadas a "reeducação" pelo trabalho - Duas septuagenárias chinesas, que apresentaram às autoridades de Pequim um pedido de autorização para protestarem durante os Jogos Olímpicos, foram condenadas a um ano de reeducação através do trabalho, informou hoje uma organização de defesa dos Direitos Humanos. Segundo a Human Rights na China, o protesto prende-se com o facto de as autoridades chinesas terem expulsado à força Wu Dianyuan, 79 anos, e Wang Xiuying, 77 anos, da sua casa em Pequim em 2001. Depois de as autoridades negarem cinco vezes o pedido de protesto de Wu e Wang, interrogaram as duas mulheres durante mais de dez horas e acabaram por condená-las a uma pena de "reeducação pelo trabalho", referiu a Organização Não Governamental sedeada em Nova Iorque. As duas idosas não serão imediatamente enviadas para o campo de trabalho, mas a sua mobilidade é restringida e se causarem novos "problemas" irão cumprir a pena, explicou a organização internacional.

- Há cem anos que a Grã-Bretanha não ganhava tanto ouro - A Grã-Bretanha, país organizador da próxima edição dos Jogos Olímpicos, atingiu hoje o maior número de medalhas de ouro nos últimos 100 anos. Entre as muitas vitórias que os súbditos de Sua Majestade já amealharam, destaca-se uma: a protagonizada por uma atleta que antes fora banida. Christine Ohuruogu, que só pôde estar presente em Pequim depois de ter ganho um apelo contra uma exclusão olímpica vitalícia, correu hoje para o primeiro lugar nos 400m femininos, a primeira vitória do atletismo da Grã-Bretanha nestes Jogos.

- Olímpicos de 2012: Jogos projectados para a sustentabilidade de Londres - A direcção dos Jogos Olímpicos de 2012 em Londres quer imprimir um efeito de longa duração no impacto que os Jogos vão ter na cidade. Ao contrário de Pequim, e da lógica que os Olímpicos têm tido de espectáculo e de superação a cada edição, Londres vai iniciar um novo espírito. “O Comité dos Jogos Olímpicos reconheceu que esta foi a última edição dos Jogos que vão transmitir esta sensação”, disse à BBC Sebastian Coe, referindo-se aos 16 dias de desporto e espectáculo que se tem vivido em Pequim. O director do Comité que está a organizar os Jogos de 2012 diz que a equipa quer proporcionar vias de sustentabilidade através dos Jogos. “É um erro pensar que cada edição dos Jogos modela-se pela edição anterior”, diz Coe, que diz que todos os Jogos em que esteve eram muito diferentes. “Mas nós podemos ser criativos, sabemos que provavelmente mais pessoas vão vir a Londres para ver os Jogos, do que a outras cidades”, explica.

- Repórteres Sem Fronteiras fazem “balanço desastroso” dos Jogos de Pequim - A organização de defesa da imprensa Repórteres Sem Fronteiras (RSF) fez um “balanço desastroso” sobre a liberdade de expressão durante os Jogos Olímpicos de Pequim e acusou o Comité Olímpico Internacional (COI) de “laxismo”. “Contrariamente a tudo o que nos quiseram fazer crer, não existiu trégua olímpica” na repressão das liberdades individuais na China, assegurou o secretário-geral dos RSF, Robert Ménard, durante uma conferência de imprensa em Paris.Segundo a RSF, “pelo menos 22 jornalistas estrangeiros foram agredidos, interpelados ou impedidos no seu trabalho durante os Jogos” e “pelo menos 50 militantes dos Direitos do Homem de Pequim foram colocados em residência vigiada, incomodados ou coagidos a deixar a capital durante os Jogos”.

- Cubano banido do taekwondo por pontapear árbitro na cara - É o caso mais grave de violência envolvendo atletas dos Jogos Olímpicos de Pequim. Um atleta cubano de taekwondo, Ángel Matos, e o seu treinador foram banidos, depois de Matos ter pontapeado o árbitro na cara, na sequência da sua desqualificação no combate para a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim. O treinador de Matos, Leudis González, recusou apresentar um pedido de desculpas pela agressão, que ocorreu durante o combate que decidia os terceiro e quarto lugares na categoria mais de 80 kg.

- EUA exigem à China a “imediata” libertação de activistas pró-Tibete - Os EUA têm pressionado no sentido da imediata libertação de oito norte-americanos detidos em Pequim por participarem em protestos a favor de um Tibete livre durante os Jogos Olímpicos de Pequim. Dois deles foram detidos na quinta-feira depois de terem exibido uma bandeira “Tibete Livre” próximo de um local olímpico e, de acordo com as autoridades chinesas, serão libertados no próximo domingo, conforme informou a embaixada dos EUA num e-mail enviado hoje.Seis membros do grupo Free Tibet Reporters foram detidos nas primeiras horas do passado dia 20 e vão ser libertados no próximo dia 30. “Nós estamos desapontados por a China não ter aproveitado a ocasião dos Olímpicos para demonstrar maior tolerância e abertura”, pode ler-se no comunicado da Embaixada.

- Tribunal Arbitral do Desporto dá razão ao sueco que recusou o bronze - A luta do sueco Ara Abrahamian, que entrou para a história dos Jogos Olímpicos de Pequim depois de ter recusado a medalha de bronze em protesto contra o árbitro da meia-final em que foi afastado, ainda não terminou. Abrahamian ganhou, em tribunal, o direito a instaurar um processo disciplinar contra a Federação Internacional de Luta, por erros formais. Uma decisão que, no entanto, não altera o resultado desportivo.
O atleta recorreu para o Tribunal Arbitral do Desporto, alegando que foram cometidos erros formais, mas sem contestar a classificação final na categoria de 84 kg do torneio de luta greco-romana. A mais alta instância jurídica desportiva a nível internacional (sediada em Lausana mas com uma comissão ad hoc a funcionar durante os Jogos em Pequim) deu razão à queixa apresentada pelo lutador e pelo Comité Olímpico da Suécia.

- COI proibiu bandeira espanhola a meia haste na Aldeia Olímpica - O Comité Olímpico Internacional (COI) não autorizou o pedido da missão espanhola para colocar a bandeira de Espanha a meia haste na Aldeia Olímpica de Pequim, em memória das vítimas do acidente aéreo que ocorreu no aeroporto de Madrid. "Foi-nos comunicado verbalmente. Estamos à espera de receber por escrito as razões [da recusa]", afirmou à agência espanhola EFE o porta-voz do Comité Olímpico Espanhol (COE), José María Bellón.


- COI pediu investigação sobre idade das ginastas chinesas que ganharam o ouro - O Comité Olímpico Internacional (COI) pediu à Federação Internacional de Ginástica (FIG) para investigar se as chinesas que ganharam a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim têm idade suficiente para competir. "Pedimos à Federação Internacional de Ginástica para analisar melhor" este assunto, afirmou Giselle Davies, porta-voz do COI. "Se há um ponto de interrogação e se nós temos uma preocupação, como neste caso, pedimos ao órgão responsável pela modalidade para investigar", referiu.
- Produtos relacionados com Phelps à venda na net dispararam 738 por cento - Os vendedores on-line correm para os lucros, aproveitando os Jogos Olímpicos de Pequim para vender objectos relacionados com os vencedores de medalhas de ouro. Os valores de licitação podem ir de um milhão de dólares pelo domínio do nome “Phelpsean” até quatro milhões por cinco pares de sapatilhas de basquetebolistas norte-americanos. O nadador norte-americano Michael Phelps, que ganhou oito medalhas de ouro em Pequim, tornando-se no atleta olímpico mais bem sucedido de sempre, é o alvo preferido dos vendedores nos sites de leilões na internet.

- Medalha de ouro checa vinga ocupação soviética de 1968 também na imprensa - A imprensa checa sa~udou a vitória da lançadora de dardo Barbora Spotakova nos Jogos Olímpicos de Pequim, evocando, tal como o fizera a atleta na véspera, o 40º aniversário da invasão soviética da Checoslováquia, em 21 de Agosto de 1968. “No dia de aniversário da ocupação, Barbora Spotakova recusou resignar-se à primeira posição da russa”, titula o circunspecto diário Lidove Noviny.Segundo o Dnes, outro grande jornal de Praga, Spotakova impôs-se “no termo de um duelo contra uma mulher vinda de um país do qual os checos não têm boas recordações desse dia”.“Esta lançadora escreveu um dos capítulos mais emotivos da história olímpica checa, no dia do 40º aniversário da ocupação soviética”, escreve, por seu turno, o jornal Sport.

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