sábado, julho 05, 2008

Profissões em alta

O jornalista João Silvestre do Expresso publica hoje um curioso artigo, com o título "Profissões que fogem à crise", que eu recomendo (neste caso atravcés da leitura do jornal ou da assinatura onbline do mesmo): "Mais de um terço das profissões tiveram aumentos salariais abaixo da inflação desde 2002, o ano em que o desemprego começou a subir em Portugal. De acordo com as últimas estatísticas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), referentes a 2006, em 43 das 124 funções para as quais existem indicadores, os salários médios cresceram menos que o índice de preços neste período de agravamento do desemprego. Ou seja, a subida acumulada não chegou aos 10,3%, numa altura de rápido agravamento da taxa de desemprego em Portugal. Estes números referem-se ao sector privado e a apenas uma pequena parte de funções no Estado, como bombeiros, médicos e enfermeiros. Não inclui, por isso, a grosso dos funcionários públicos que, desde 1999, têm actualizações salariais abaixo da inflação. A excepção tem sido nos últimos anos os trabalhadores com remunerações inferiores a 1000 euros mensais que têm tido actualizações superiores à média. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) revelou esta semana que os salários reais (descontando a inflação) caíram 2,6% em 2006. Portugal foi o país da organização onde a queda foi maior. “O desemprego é o maior factor de moderação salarial”, refere João Ferreira do Amaral, professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG). Na realidade, estes anos correspondem a uma fase em que o desemprego duplicou. A taxa passou de 4% em 2001 para 8% no ano passado. Em Maio, voltou a subir de 7,4% para 7,5%. Mas o desemprego não é a única razão para o fraco ritmo de crescimento dos salários médios. Como lembra Ferreira do Amaral, “a produtividade tem crescido pouco”. O que fez com que a fatia que hoje os trabalhadores vão buscar ao produto interno bruto (PIB) com os seus salários seja a mais baixa desde o final da década de 90. Isto apesar de Portugal ser ainda um dos países da União Europeia onde a parcela é maior. Em 2003, quando começou a descer, os salários representavam 74,6% do PIB. Este ano, segundo estimativas da Comissão Europeia, deverá ser 71,5%. Para o professor do ISEG, além do problema da produtividade, esta situação é também resultado do “impacto da globalização” que, no futuro, deverá continuar a condicionar os salários, principalmente em “países com maior peso de mão-de-obra pouco qualificada”. Na mesma edição o jornalista publica outro artigo com o título "Portugueses trabalham menos": "As semanas de trabalho dos portugueses duram actualmente, em média, menos 12 horas do que há cinco décadas. Os números foram publicados pelo Center for Economic Policy Research (CEPR) britânico, num estudo sobre o crescimento na Europa na segunda metade do século XX, da autoria dos economistas Nicholas Crafts e Gianni Toniolo. Em 1950, os portugueses trabalhavam 2344 horas por ano, o que representava uma carga horária semanal (considerando 52 semanas e excluindo férias) média de, aproximadamente, 45 horas. No ano 2005, o total anual era de apenas 1709 horas, o correspondia a 33 horas semanais. Esta redução do número de horas trabalhadas pelos portugueses - que foi uma tendência europeia - foi acompanhada por uma quebra significativa na produtividade do trabalho. Na década de 60, a época dourada do crescimento em Portugal e a nível mundial, cresceu a 6,56% ao ano. Nos anos 70, 80 e 90, o ritmo baixou para 2,35% e, considerando apenas os últimos quinze anos, caiu para 1,29%. A produtividade é, de resto, há vários anos apontada como o grande calcanhar de Aquiles da economia portuguesa. No relatório sobre Portugal divulgado na semana passada, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) analisou a questão e concluiu que uma das principais causas para a sua rápida deterioração nos últimos anos foi a ‘deslocalização’ de trabalhadores da indústria para sectores onde são menos produtivos, como a construção ou o retalho".

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