segunda-feira, junho 16, 2008

Liberalização: a realidade e a ficção (I)

Ouvi hoje a secretária regional do Turismo e Transportes reafirmar a sua oposição ao estabelecimento de um tecto no que ao preço das viagens dos residentes diz respeito porque alegadamente isso ia contra o que constitui uma das regras de um mercado aberto que dessa forma deixaria de o ser. Sinceramente acho que a dra. Conceição Estudante, até resolver de uma forme positiva esta polémica lamentável em torno dos prejuízos causados pela liberalização aos madeirenses e aos estudantes universitários, não tem muito espaço de manobra para andar a fazer declarações desse tipo pelo que lhe recomendaria, sinceramente, alguma contenção. Porque uma coisa é a secretária regional falar na perspectiva do entendimento do que é uma liberalização do espaço aéreo, e que obviamente não prejudica a Madeira, desde que funcione como deve funcionar, com concorrência e não monopólio, ou falar na perspectiva dos interesses os hoteleiros locais que até admito estejam “delirantes”, outra coisa é ter a coragem de reconhecer que foi assinado um documento (se houve acordo, houve documento assinado, ou não?) que prejudica os residentes e os nossos estudantes. E dou mais dois exemplos: se eu quiser, por necessidade, efectuar já a reserva de viagens a Lisboa para Setembro ou Outubro, tenho 72 para pagar o bilhete e pedir que o mesmo seja emitido, sob pena de me anularem a reserva. Sabia? Não creio que o soubesse. Com o bilhete na mão se porventura tiver que alterar a viagem, pago logo 50 euros à cabeça e corro o risco de no voo alternativo encontrar apenas uma tarifa mais cara, pelo que terei que pagar esse diferencial. Diga-me como é que milhares de estudantes universitários madeirenses podem marcar reservas para os períodos de maior procura (regresso em Dezembro à Madeira e regresso ao Continente em Janeiro), se ainda não sabem (só em Setembro ou Outubro) os seus horários e calendários de exames? Vai a dra. Conceição Estudante aceitar que os pais desses estudantes sejam obrigados por precaução a efectuar reservas “à toa” jogando com os fins-de-semana, para depois terem que mudar tudo, pagar os tais 50 euros e serem penalizados (?) com tarifas mais caras? Eu vou-lhe fazer uma pergunta directa porque tudo isto começa a irritar-me e porque eu ainda tenho uma filha estudante universitária, sei do que falo: está a dra. Conceição Estudante interessada em que esta bagunça se prolongue até Dezembro e que nessa altura do ano apareça depois uma tremenda barracada por causa dos problemas que eventualmente possam envolver este movimento aéreo dos estudantes? Quer enfrentar depois a fúria dos pais? Sabe a dra. Conceição Estudante que para além da penalização das tarifas – e pergunte às pessoas que opinião elas têm de tudo isto… - os madeirenses viram ser-lhe limitada ou mesmo anulada a liberdade de poderem viajar, como sempre fizeram e como sempre deveriam ter esse direito, a que horas entendessem? Agora ou são empurrados para horas menos convenientes por tarifas pretensamente mais aliciantes, ou confrontam-se com a inexistência de disponibilidades de lugares para as tarifas mais baratas, uma forma habilidosa de ser a TAP a impor regras aos passageiros da Madeira? Sabia disto?

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