terça-feira, maio 06, 2008

Cena na Assembleia da Madeira (V)

O que se passou hoje no parlamento, pela sua natureza rasca e sobretudo pelo facto de indiciar um indecoroso aproveitamento de um deputado por parte do oportunismo iluminado de terceiros (como aliás e muito bem denunciou João Carlos Gouveia), indivíduos esses que por estatuto social ou outras condicionantes pessoais e profissionais, nunca estariam disponíveis para protagonizarem tal palhaçada, certamente que fez as pessoas recuar a declarações recentes do Presidente do Governo Regional e para os adjectivos que utilizou. Os deputados têm direitos, mas também têm deveres. Têm o direito de usar da palavra, em liberdade, sempre e quando o entenderem, protestando contra tudo o que considerem estar mal e ser criticável. Têm o incontestável direito, e a obrigação, de expressarem em liberdade as suas opiniões. Mas não devem ter o comportamento indigno que retire qualquer capacidade para, depois, virem pregar moralismos como alguns fazem. O PND e Baltazar Aguiar, perderam hoje qualquer tipo de legitimidade. Pelo contrário, porventura vieram questionar exactamente a consistência daquela declaração, contando com o silêncio, previsível do PCP (em plenário) e estranho do Partido da Terra. O que é lamentável, quando se chega ao ponto que hoje chegamos, porque estamos num parlamento que, sendo o principal órgão da autonomia regional, teve momentos de infelicidade reconhecida, além de cometer erros, omissões e não estar isento de críticas - até porque nada nem ninguém é perfeito - quando olhamos para um partido que um ano depois de ter eleito um deputado, apenas requereu um debate sobre política portuária e apresentou uma proposta de construção de uma estátua de Alberto João Jardim, mas está disponível e empenhado neste tipo de acções - quando os madeirenses têm tantos problemas que o próprio PND denuncia, mas não resolve - que mais podemos acrescentar? Nada. Recordo apenas a encenação do deputado Baltazar Aguiar na procura de justificações políticas para um pedido de substituição do mandato por dois meses. Supostamente - e acredito, porque era isso que corria no parlamento - José Manuel Coelho foi usado por terceiros (e escuso-me de referir nomes por razões que em dizem respeito) para aceitar ser protagonista de uma situação caricata que, ao contrário do que porventura ele pensa, não o dignifica. Se o que estava (está?) em causa é a discordância do PND face à proposta de alteração do regimento do parlamento regional apresentada pelo PSD, se esse documento nem está agendado ainda para apreciação em plenário, se é legítimo, e natural que a oposição discorde da iniciativa da maioria por se sentir lesada, então, e quanto muito, qualquer protesto faria sentido - até porque isso também se passa noutros parlamentos, embora neste caso os deputados não andem sistematicamente a provocar, nem ousem desrespeitar a Mesa. Cair na mediocridade de repetir o que é feito uma vez para marcar posição política e ganhar algum mediatismo na comunicação social, mas que não acredito lhes dê votos (pelo contrário) e reclamar a identificação da norma regimental que impede um deputado de andar com um relógio de grandes dimensões pendurado ao pescoço (se por acaso o deputado José Manuel Coelho, um dia destes, resolvesse apresentar-se armado ou nu em plenário, interpelará a Mesa para que lhe diga a norma regimental que impede o dito de ali de querer ser "cowboy" ou andar pelado?), roça o domínio do absurdo. Ainda por cima, quando o deputado se comportou de forma telecomandada, que aliás não se parece em nada com a ideia de dele tinha. Finalmente, ficou-me uma dúvida ainda maior: depois de tudo isto se ter passado, o referido deputado, já sem fato e gravata , continuava a circular nas redondezas do edifício do parlamento com o relógio ao pescoço, talvez à espera que as pessoas achassem piada nele. Ou sentissem pena? (LFM)

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