O pior que poder acontecer a um partido é revelar oportunismo político ou, pior do que isso, evidenciar uma lamentável falta de ética, numa oscilação de posições que confunde ou revela uma enorme ânsia de protagonismo mediático. Eu não questiono, como é evidente, a liberdade de qualquer partido tomar a iniciativa política que bem entender e quando entender. Não discuto essa ideia, em grande medida assumida pelo PCP, que quando se fala em pobreza, em exclusão social, nos problemas das crianças, etc, isso constitui uma espécie de património “reservado” àquele partido. Não. O que eu quero realçar e interrogar-me é sobre a possibilidade, ou não, de estarmos perante um equívoco do PCP, que tal como os demais partidos da Assembleia Legislativa, foram informados na passada quarta-feira de um ofício do Secretário Regional dos Assuntos Sociais propondo o dia 20 de Maio para a realização do debate parlamentar – requerido pelo PCP! – sobre pobreza e exclusão social na Madeira assunto que, foi também informado, seria debatido na reunião de líderes já convocada para 7 de Abril. Um dia depois, avança o PCP com uma moção de censura ao governo, ao que ouvi dizer, por alegadamente o Jardim Ramos ter “mentido” (tese do PCP) quanto à dimensão estatística da pobreza na RAM. Confesso, e esta é a minha opinião pessoal, que a se confirmar tal iniciativa – e não se discute o acto regimental em si mesmo porque o PCP pode tomá-lo assim como o PSD garante o chumbo inevitável da mesma, mas a atitude reveladora de falta de ética pelas razões apontadas – que se fosse o Secretário Regional dos Assuntos Sociais considerava imediatamente sem efeito a disponibilidade para participar no referido debate requerido pelo PCP, assim como o Governo Regional reservar-se-ia o direito a tomar uma atitude política em relação a todas as iniciativas que o PCP tomasse. Os comunistas sabiam o que se passava, quiseram gerar um facto político que vale o que vale, perderam a credibilidade e a ética que no parlamento, mesmo num clima de divergência permanentes, há que observar. O PCP, em minha opinião, esperaria pelo referido debate, que se realizaria a 20 de Maio e depois disso, tomaria as iniciativas que bem entendesse incluindo a moção de censura. Continuo a pensar que estamos perante um equívoco. Prefiro acreditar nisso.
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