Com este título a jornalista do "Diário Económico", Margarida Peixoto, faz uma análise a alguns aspectos relacionados com o emprego em Portugal: "A criação líquida de emprego em 2007 foi exclusivamente feita através de contratos a prazo, segundo os dados divulgados na passada sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Para os especialistas, a precariedade na contratação é a forma que as empresas encontram para dar flexibilidade ao mercado de trabalho. De 2006 para 2007 houve menos 67.300 trabalhadores por conta de outrem em regime de efectividade. Em compensação, no mesmo período foram criados 50.700 empregos com contratos a termo certo. Os números mostram que ao mesmo tempo que a economia não está a ser capaz de criar emprego suficiente para compensar o aumento da mão-de-obra activa – o que resultou numa subida da taxa desemprego anual para os 8% – o emprego criado revela condições mais precárias do que o destruído.“Temos um sistema terrível que protege uns a 100% enquanto desprotege os outros também a 100%”, comentou a economista Teodora Cardoso, ao Diário Económico. “É preciso criar garantias e salvaguardar o trabalhador em vez do posto de trabalho”, sublinhou.Para a economista, um dos incentivos que o Governo pode dar está em “mostrar às empresas que contratar não significa ficar para todo sempre com aquele trabalhador” – algo que se faz com a flexibilização da lei do trabalho, que está agora em discussão entre os parceiros sociais e o Governo, após a apresentação do Livro Branco das Relações Laborais em Dezembro. Por enquanto, as empresas adoptam as práticas legais que permitem despedir com mais facilidade: os contratos a termo certo e o regime de recibos verdes. “A situação actual é favorável ao empregador. Sem os recibos verdes, não havia tanto emprego”, defendeu Teodora Cardoso".
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