sábado, maio 05, 2007

Campanhas

Alguns dos jornalistas continentais (enviados-especiais) que cobriram a campanha eleitoral na Madeira admitem, pelo menos é isso que revela uma peça jornalística hoje publicada no DN local, que a equipa do PS revelou mais "profissionalismo" que a do PSD. Eu direi apenas que o PSD não contratou, nunca contratou - repito, nunca contratou - equipas de marketing político que assentam arraiais na Madeira, instaladas em apartamentos em condomínio fechado, procurando chamar a si a orientação de todo o processo eleitoral, por estarmos convencidos de que, para que isso aconteça, há que conhecer primeiro a realidade regional onde o trabalho se desenvolverá, conhecer o que pensam as pessoas o que querem, etc. Fiquei sem saber se, para esses jornalistas, é "crime" não optar pelo alegado rigor (?) do profissionalismo de "marketeiros" contratados. Desde 1991 que acompanho as campanhas eleitorais na Madeira "por dentro", desde 1992 que faço parte do secretariado do PSD da Madeira - o órgão a quem cabe as decisões em termos de logística e de planificação e execução das campanhas - e não credo que alguma vez, desde então para cá, tenha perdido no terreno qualquer eleição. Quanto aos comentários sobre a campanha em si mesma, constato que continua a haver uma tendência para se dar uma imagem distorcida (será "chique"?) de menoridade, uma aposta na inferiorização deliberada, visando criar da Madeira uma ideia de "excepcionalidade" no seio da "normalidade" que pretensamente serão as campanhas eleitorais no Continente ou nos Açores. Tudo isto por causa de Alberto João Jardim. A "normalidade" na Madeira será o PSD perder e alguém da oposição, pouco importa saber quem, ganhar. Normalidade será isso! Cria-se da realidade regional uma uma espécie de terra de mentecaptos, uma "coisa" diferente do Continente. Lembro aos referidos profissonais que esta campanha é regional e que no Continente os meios de comunicação nunca, repito, nunca, fazem uma cobertura profissional como fizeram agora na Madeira, generalizada, acompanhando todos os partidos, nos pequenos e grandes comícios. Lá o que se passa são coberturas jornalísticas de campanhas eleitorais a uma escala diferente, circunscrita aos líderes nacionais elevados aos patamares de "deuses supremos da política". Aliás, quando no Continente em períodos eleitorais, de fala de reportagem jornalística das campanhas, salvo excepções, o que se passa é apenas cobertura jornalística de tudo o que os líderes partidários fazem, dizem, come, bebem, etc. Quando às características das campanhas - ofertas de brindes, etc - posso garantir que no Continente é exactamente o mesmo, ou até pior, até porque no PSD da Madeira, recebemos muito do material que o PSD nacional utiliza nas suas campanhas, tal como o PS local, e demais partidos, recebem as encomendas dos respectivos partidos nacionais, nessas alturas. E se isso não são "brindes" para o eleitorado, então não sei de que se trata. Finalmente um reparo, no que ao PSD diz respeito: leram o programa de governo 2004 - 2008 que o partido maioritário diz que continuará a ser a base do próximo mandato, obviamente com novidades que serão determinadas pelas disponibilidades financeiras? Peçam aos partidos que vos mostrem um exemplar dos programas de governo apresentados nas regionais de 2004. Depois falamos. Não quero ensinar o "Pai Nosso ao vigário", mas por favor, deixem-se dessa mania da treta de continuarem a olhar para a Madeira como se fôssemos uma espécie de "apêndice" da República, diferentes, para pior, da realidade nacional. Porque em matéria de cobertura jornalística de campanhas, neste caso das nacionais, das pequenas e grandes histórias, não vale a pena falarmos. A Comissão Nacional de Eleições tem no site a relação de todas (?) as queixas recebidas em actos eleitorais realizados no Continente, qual "santuário" da seriedade e da modernidade eleitoral...

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