terça-feira, abril 07, 2026

Portugal longe do topo: veja quanto pagou cada contribuinte no apoio à Ucrânia


Desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022, os países ocidentais comprometeram mais de 340 mil milhões de euros em apoio militar, financeiro e humanitário. Mas quando se traduz esse esforço para o bolso de cada contribuinte, as diferenças entre países são profundas — e Portugal surge entre os que menos contribuíram, avança o ‘Kyiv Post’. Entre 2022 e 2025, cada contribuinte português pagou, em média, cerca de 181 euros para apoiar a Ucrânia. Um valor que fica muito abaixo da média das grandes economias, estimada entre 600 e 700 euros por trabalhador.

Portugal longe do topo europeu

A distância para os países mais empenhados é expressiva. No topo da tabela surge a Dinamarca, com cerca de 3.650 euros por contribuinte — mais de 20 vezes acima de Portugal. Seguem-se a Noruega (3.186 euros) e a Suécia (1.622 euros). Vários países ultrapassam mesmo a barreira dos 1.000 euros por trabalhador, como a Estónia (1.343 euros), a Finlândia (1.267 euros), os Países Baixos (1.094 euros), a Lituânia (1.054 euros) e o Luxemburgo (1.033 euros). Mesmo economias de maior dimensão apresentam valores bastante superiores ao português: os Estados Unidos situam-se nos 716 euros por contribuinte, o Canadá nos 683 euros, a Islândia nos 667 euros, a Letónia nos 640 euros, o Reino Unido nos 567 euros e a Alemanha nos 557 euros.

Sul da Europa na cauda

Portugal integra o grupo de países com menor contribuição, ao lado de França (252 euros) e Áustria (183 euros). Espanha e Itália ficam ainda mais abaixo, com cerca de 104 e 112 euros por contribuinte, respetivamente. Este padrão reforça uma divisão clara dentro da Europa: os países do Norte e do Leste lideram o esforço, enquanto o Sul apresenta níveis mais reduzidos.

Quando entram os refugiados, tudo muda

Se forem incluídos os custos com acolhimento de refugiados ucranianos, os valores sobem significativamente em vários países. A Noruega passa para 4.721 euros por contribuinte e a Dinamarca para 4.153 euros. A Letónia e a Polónia sobem para 2.588 e 2.549 euros, respetivamente. Países como a Irlanda (2.250 euros) e a Rep. Checa (1.985 euros) entram no topo da tabela, enquanto a Lituânia atinge cerca de 1.877 euros. Mesmo países inicialmente mais abaixo sobem neste cenário: a Espanha passa para cerca de 675 euros por contribuinte, enquanto outros, como Bulgária e Roménia, ultrapassam os 1.000 euros.

Apoio total liderado por EUA e UE

Em termos absolutos, os Estados Unidos lideram o apoio com cerca de 115 mil milhões de euros, seguidos pelas instituições da União Europeia com 84 mil milhões. Alemanha (25 mil milhões) e Reino Unido (19 mil milhões) completam o grupo dos maiores contribuintes. Mas estes números globais escondem a realidade individual: o peso sobre cada contribuinte varia fortemente de país para país.

Um esforço desigual — e político

Os dados mostram que o apoio à Ucrânia é tudo menos homogéneo. Fatores como proximidade à Rússia, histórico político, capacidade económica e pressão interna ajudam a explicar as diferenças. Apesar disso, o ‘Kyiv Post’ sublinha que, em muitos países, o custo por contribuinte continua relativamente moderado face à dimensão das economias — ainda que distribuído de forma muito desigual. Portugal surge assim no grupo dos países onde o esforço individual foi mais limitado, num retrato que evidencia não só diferenças económicas, mas também diferentes perceções do risco e da prioridade estratégica da guerra (Executive Digest, texto do jornalista Francisco Laranjeira)

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