Escreve a jornalista do Económico, Rebeca Venâncio, que “depois das “vedetas”, a administração quer reduzir a remuneração variável dos trabalhadores. A administração da RTP quer cortar significativamente o valor dos subsídios de coordenação na empresa. Esta é uma das medidas que está em cima da mesa de Alberto da Ponte, presidente do conselho de administração (CA), e que já foi, inclusivamente, discutida com a direcção de informação da RTP1 e comunicada aos editores e coordenadores da estação. Em causa está a redução dos valores base dos três níveis de coordenação (A, B e C) que variam, actualmente, entre os 750 euros e os 300 euros, respectivamente. A proposta que foi comunicada por Paulo_Ferreira, director de informação, na passada terça-feira, durante a reunião de coordenação do Telejornal, implica que os coordenadores dos dois principais blocos noticiosos da estação pública vejam este subsídio cair para os 500 euros. Os coordenadores de nível B - responsáveis pelos principais programas de informação dos canais temáticos da RTP - poderão passar dos 600 para os 300 euros e os coordenadores de nível C, que trabalham com programas temáticos, como desporto, por exemplo, podem passar de um subsídio de 300 para 100 euros mensais. Estes valores não estão ainda fechados e poderão ser alvo de negociações. Contactadas, administração e direcção de informação não comentam. Recorde-se que, em entrevista recente ao programa "De Caras", na RTP1, Alberto da Ponte reconheceu que antes dos cortes nos salários fixos há muito para avaliar e reduzir na televisão estatal, que viu a sua privatização ser adiada sine die, por decisão do Governo. "A_RTP tem, actualmente, custos com pessoal de 92 milhões de euros. Desse valor, só 55 milhões são salários fixos, o resto são ou o montante pago à Segurança Social ou as regalias de que os trabalhadores da RTP beneficiam e essas sim deverão ser objecto de discussão. Estou convencido que não será preciso cortar nos salários fixos dos trabalhadores", disse, então. O líder da estação já deixara claro que a política de cortes era transversal a toda a empresa e nem as designadas "vedetas" estariam imunes. No mesmo programa revelou que todos estes contratos foram revistos e os valores cortados em 30%.
Reunião com sindicatos foi "inconclusiva"
A administração esteve ontem reunida com os sindicatos que representam os trabalhadores da RTP, numa reunião considerada pelos organismos como "inconclusiva". "Foram comunicados alguns números, mas não chegou a ser uma reunião de trabalho. Ficou o compromisso de que voltaremos a reunir nos próximos dias, uma vez que plano de reestruturação da empresa tem de ser entregue no dia 1 de Março e os sindicatos têm de estar integrados neste processo", disse uma fonte da RTP. Alberto da Ponte terá dado aos representantes das organizações sindicais a garantia de que a RTP reduzirá, na medida do possível, o valor gasto com produções externas. Esta medida agradou aos responsáveis mas deverá colocar numa situação difícil algumas produtoras independentes que tinham nos canais estatais os seus melhores clientes. Sobre o parceiro tecnológico - uma intenção manifestada pelo ministro Miguel_Relvas, no Parlamento -, a administração revelou ainda que deverá ser uma empresa com um perfil forte na área de desenvolvimento tecnológico de novas plataformas de audiovisual”.