O Tribunal Constitucional alemão pronuncia-se
no próximo dia 5 de maio sobre o programa de compra de ativos do BCE, podendo
pôr em causa o atual pacote de 750 mil milhões de euros de combate à crise
provocada pela covid-19. O ‘Pandemic Emergency Purchase Program’ (PEPP),
lançado pela presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, vem
na sequência dos ‘Asset Purchase Programs’ (APP) criados pelo seu antecessor,
Mário Draghi, entre 2015 e 2019. E foram os programas de compra de ativos
criados por Draghi que levaram um grupo de dois mil queixosos na Alemanha,
encabeçado por economistas e professores de Direito, a colocar um processo em
tribunal. Estes especialistas argumentam que a compra de
ativos é ilegal por se tratar de financiamento monetário dos Estados-membros,
uma vez que cada um dos bancos centrais da zona euro compra, com o apoio do
BCE, dívida emitida pelos respetivos Estados. Esta prática está proibida nos
tratados europeus, mas o BCE argumenta que os bancos centrais da zona euro, ao
comprar a dívida no mercado secundário, e não diretamente aos Estados-membros,
não está a cometer qualquer ilegalidade.
sábado, abril 25, 2020
Medicamento considerado promissor contra a covid-19 falha no 1º teste clínico
Os primeiros ensaios clínicos do medicamento
antiviral contra o novo coronavírus, denominado de ‘redsmivir’ produzido pela
farmacêutica Gilead, falharam. Segundo a empresa, os resultados acabaram por
ser inconclusivos uma vez que o ensaio foi interrompido de forma precoce, segundo
o ‘Finantial Times’. O ensaio clínico mostrou que o medicamento não melhorou a
condição médica dos pacientes, nem reduziu a presença do vírus na corrente
sanguínea, segundo o jornal americano, que cita rascunhos de documentos
publicados acidentalmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A Gilead
disse num comunicado que essas conclusões se tratavam de caracterizações
inadequadas do ensaio clínico, que tinha sido interrompido de forma precoce e
por isso insuficiente para permitir conclusões estatisticamente significativas. «Os resultados do ensaio são inconclusivos,
embora as tendências nos dados sugiram um benefício potencial para o
remdesivir, principalmente entre os pacientes tratados no início da doença»,
afirmou a empresa.
PS ameaça banca se não apoiar famílias e empresas (mas ainda não tem apoios para comissão de inquérito)
Os socialistas querem pressionar os bancos a
cumprirem com os apoios e ameaçam com comissão de inquérito. Mas os partidos
não querem falar disso para já e, no CDS, fala-se mesmo em tentativa de
encontrar “bodes expiatórios” para esconder falhas do Governo. Oaviso do PS de
que pode avançar com uma comissão parlamentar de inquérito se os bancos
continuarem - segundo o deputado João Paulo Correia - a falhar no apoio às
famílias e empresas durante a crise não deixou os restantes partidos
particularmente entusiasmados. PSD e PCP preferiram não falar sobre o tema, o
Bloco de Esquerda chutou para canto, o CDS fala em manobra de diversão e apenas
o PAN se disse a favor da iniciativa - mas sugerindo que o PS estava apenas a
“correr atrás do prejuízo”. A ideia do PS é pressionar os bancos e deixar um
recado político anotado. Ao Expresso, o deputado socialista João Paulo Correia explica
o que esteve na base da ameaça feita durante as audições parlamentares aos
banqueiros. “Não se pode excluir a hipótese de um dia haver um inquérito a
estas entidades. Não sabemos como vamos sair desta crise”. E as desconfianças
parecem mais que muitas: “Fazendo fé nas respostas dadas, todos os casos de
queixas sobre dificuldades de acesso às linhas de crédito foram negadas pelos
bancos”... mas o PS não acredita que queixas que chegam “de todos os setores”
se resumam a “uma conspiração” contra a banca.
Covid-19: Como está a pandemia a afectar a carteira dos portugueses
O novo coronavírus não está só a ter impacto
na saúde e no quotidiano do país. Também veio alterar as prioridades
financeiras de 78% dos portugueses, conclui um novo estudo do banco digital
N26. As preocupações com a sua saúde (55%) e a dos entes queridos (47%) são,
ainda assim, prioritárias no nosso país, seguidas pelas preocupações com a
família (46%) e financeiras (38%) e ainda a segurança do emprego (26%). No entanto, a maior parte dos inquiridos
portugueses (33%) admite não estar a poupar mais do que antes desta crise.
Aqueles que dizem estar a poupar mais dinheiro neste momento, conseguem deixar
de lado à volta de 146 euros por mês. «Todos vemos o impacto que o vírus
COVID-19 tem tido na nossa rotina do quotidiano, mas talvez seja menos óbvio o
enorme impacto que tem tido, também, nas nossas finanças quotidianas», começa
por apontar Sarunas Legeckas, general manager, greater Europe da N26, citado em
comunicado.
Covid-19: Portugal pode receber até 25,1 mil milhões do fundo de recuperação, prevê ZEW
O instituto de investigação económica alemão
ZEW estima que Portugal possa receber até 25,1 mil milhões de euros de um
hipotético fundo de recuperação económica europeia pós-covid-19 que totalizasse
1,5 biliões de euros. De acordo com uma simulação do que seria um Fundo de
Recuperação Europeu de 1,5 mil milhões de euros, e num cenário em que a
atribuição de fundos pelos 27 países da União Europeia corresponde à quebra
económica prevista pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Portugal iria
buscar 25,1 mil milhões de euros, correspondentes a 11,93% do seu Produto
Interno Bruto (PIB). Num segundo cenário elaborado pelo instituto
económico alemão, que tem em conta apenas o número de mortes projetadas pelo
Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME, na sigla em inglês) para cada
um dos 27 países, aí Portugal arrecadaria 8,2 mil milhões de euros, 3,89% do
seu PIB. Já num terceiro cenário, em que a alocação de fundos seria feita numa
proporção de dois terços tendo em conta a queda do PIB, e um terço o número de
mortes projetadas pelo IHME, Portugal arrecadaria 19,5 mil milhões de euros,
correspondentes a 9,25% do seu PIB.
Três dúvidas que vão dificultar o regresso à vida - quem é contagioso, imune ou está em risco
Quem é contagioso, quem é imune, quem está em
risco? É preciso aceitar que ainda não se sabe tudo sobre a covid-19 e que isso
pode atrasar o alívio das medidas restritivas. Em Portugal como no resto do
mundo. E ao terceiro período de Estado de Emergência, eis que sobem de tom os
pedidos de regresso à vida, aos negócios, aos cafés, às ruas. E eis que sobre
eles continuam a pairar as dúvidas, algumas práticas, sobre a forma de conter a
propagação do SARS-CoV-2. Das dúvidas que a pandemia de covid-19 tem trazido,
já sabemos que o distanciamento social e as máscaras vieram para ficar e que, a
menos que a vacina apareça antes do previsto, o vírus nunca estará realmente
controlado. “Vai-se controlando”, explica a diretora-geral da Saúde, Graça
Freitas. Porém, mesmo para esse gerúndio, há três
dúvidas científicas que podem servir de bloqueio ao regresso a uma normalidade
possível. Estão as três relacionadas menos com as especificidades do vírus e mais
com a forma como as pessoas interagem com ele e entre si.
Portugueses pouco confiantes que Estado garanta privacidade dos seus dados
Um barómetro sobre as perceções dos
portugueses sobre cibersegurança revelam que 80% dos inquiridos não confiam no
Estado para garantir a privacidade dos seus dados pessoais e a maioria crê num
risco crescente de ser vítima de cibercrime. O barómetro da Associação Portuguesa de Apoio
à Vítima (APAV) hoje revelado foi elaborado com base num questionário online a
591 pessoas entre 27 de fevereiro e 08 de março e mostra que a maioria dos
inquiridos está sempre ligada à internet, seja em casa, no trabalho, ou até na
rua, pelo uso de smartphones, com a consulta de emails, o acesso às redes
sociais e a leitura de notícias a serem as atividades predominantes. Entre os
inquiridos, 80% “receia que a confidencialidade da sua informação pessoal não
esteja a ser assegurada pela Administração Pública” e 90% tem esse receio em
relação a ‘websites’, de forma geral.
20 perguntas e respostas para se tornar um especialista em coronabonds
Os líderes europeus discutem esta quinta-feira
o que vai ser o Fundo de Recuperação para financiar os estragos no dia seguinte
ao fim da pandemia. Bruxelas avançou esta manhã com uma proposta técnica de um
Fundo de €1,6 biliões. Não se espera que haja já fumo branco sobre se vamos ter
obrigações europeias com o risco partilhado por todos, seja qual for o nome de
batismo que se lhe der, ou mesmo se não se tiver etiqueta nenhuma. O braço de
ferro político deverá continuar até à cimeira de junho. O Expresso explica-lhe
tudo o que está em causa. O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, em
videoconferência com dirigentes da Europa.
Para um país que viveu, nos últimos 200 anos,
três crises de dívida pública, qualquer debate sobre emissão de obrigações
europeias deve ser seguido com o máximo de atenção. Nestas três crises
(1837-1852; 1892; 2011), Portugal teve cinco bancarrotas e reestruturações de
dívida e, no caso mais recente, um resgate da troika. Saber, por isso, com que
linhas se vão financiar os estragos de uma das maiores recessões de sempre, é
um assunto crucial. A discussão que esta quinta-feira os chefes de Estado e de
governo vão continuar na reunião informal do Conselho Europeu é de particular
importância para Portugal, cujo prémio de risco da dívida face à Alemanha
multiplicou por quatro em apenas dois meses. A batalha política deverá
continuar até à cimeira de junho.
Covid-19: O caso da ilha japonesa de Hokkaido, que há um mês voltou à rua e agora teve de voltar para casa
Na primeira vaga de contaminações, Hokkaido
foi um exemplo de sucesso devido à sua rápida ação de contenção. Agora, passado
um mês, o país volta a declarar o estado de emergência e enfrenta uma nova
etapa da pandemia . A ilha de Hokkaido declarou, no final do mês de fevereiro,
o primeiro estado de emergência devido ao coronavírus. Assim como em vários
países, as escolas foram encerradas, as autoridades pediram à população para
ficar em casa, enquanto o governo e os profissionais de saúde tentavam
identificar os casos positivos e tratá-los. Esta estratégia de isolamento
social levou a que em meados do mês de março o número de novos casos descesse
para os mínimos, um ou dois casos por dia. Assim, no dia 19, o estado de
emergência foi suspenso: as pessoas puderam voltar a sair de suas casas e no
início de abril as escolas foram reabertas.
Passado um mês, a situação de Hokkaido alterou-se:
surgiram novos casos de contaminação, e o segundo estado de emergência nacional
foi decretado na passada quinta-feira, dia 16 de abril. Durante a semana
passada, Hokkaido registou 135 novos casos de Covid-19 e não há indícios de que
o vírus tenha sido contraído fora do Japão, ao contrário do que aconteceu na
primeira vaga. Todos os casos registados são de japoneses e nenhum destes
viajou recentemente para o estrangeiro.
OMS: "Há cada vez mais jovens nos cuidados intensivos e que estão a morrer"
A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou
esta sexta-feira para o aumento de casos de pessoas doentes com covid-19 mais
novas que acabam nos cuidados intensivos ou por morrer, uma tendência para a
qual ainda não há explicação. "Há cada vez mais pessoas dos grupos
etários mais jovens, nas faixas dos 30, 40 ou 50 anos, que estão nos cuidados
intensivos e que estão a morrer", afirmou em conferência de imprensa na
sede da organização, em Genebra, a diretora do programa de emergências
sanitárias da OMS, Maria Van Kerkhove. Salientou que isso não significa uma mudança
no padrão da doença, que continua a afetar mais gravemente pessoas com mais
idade e que tinham problemas prévios antes de serem contagiadas com o novo
coronavírus. "Ainda falta algum tempo antes de entendermos como é a
mortalidade nos diferentes países", afirmou, considerando que é
"difícil e enganador" comparar taxas de letalidade entre países em
fases diferentes da doença. A taxa de letalidade calcula-se dividindo o número
de pessoas que morreram pelo número de casos confirmados e há "diferenças
significativas" no que os países estão a fazer para detetar casos, como os
critérios que seguem para fazer testes.
O colapso do petróleo em cinco perguntas e respostas (e não, não vamos ter combustível de borla)
Pela primeira vez na história, o petróleo foi
transacionado nos Estados Unidos a preços negativos. Saiba por que é que isso
não significa que possamos ter gasolina grátis e que outros impactos podemos
esperar desta queda inédita. Opetróleo atingiu esta segunda-feira um marco
inédito: foi pela primeira vez transacionado a valores negativos, sinalizando
que os produtores (ou quem investe em petróleo) passou a pagar para que lhes
fiquem com petróleo. O crude não é o único produto ou serviço de preços
negativos. Mas o que podemos esperar agora? Teremos combustível mais barato nas
estações de serviço? As petrolíferas vão falir?
POR QUE FOI O PETRÓLEO PARA PREÇOS NEGATIVOS?
Esta segunda-feira, o petróleo teve uma queda
histórica no seu preço, mas apenas nos contratos futuros do WTI - West Texas
Intermediate, um tipo de petróleo que é referência para o mercado
norte-americano. A queda acentuada teve duas razões fundamentais. Por um lado,
a queda da procura de combustíveis, que está a esgotar a capacidade de
armazenamento de petróleo nos Estados Unidos da América. Por outro lado (e terá
sido isto a justificar o colapso para preços negativos), a necessidade de
muitos "traders" se desfazerem dos contratos futuros de maio, sob
pena de, não os vendendo, terem de aceitar, no final do mês, ficar com os
volumes físicos de petróleo que tinham em mãos, sem terem de facto onde
armazenar o crude. A conjugação dos dois fatores levou a que o WTI tenha pela
primeira vez passado a ser transacionado a valores negativos, ou seja, quem
comprou os futuros de maio, assumiu o risco de nas próximas semanas revendê-los
ou ter de receber fisicamente os volumes contratados, e, em vez de pagar pelos
contratos, está a ser remunerado por isso.
Do furo à bomba: o que pagamos pelos combustíveis
O petróleo está a viver uma semana histórica.
Mas o que pagamos pela gasolina e pelo gasóleo é uma realidade diferente.
Porque cada litro de combustível tem lá dentro os custos escondidos de anos de
estudos sísmicos, da perfuração dos poços, da refinação e dos salários de quem
trabalha nesta indústria. Não se espante, por isso, se uma quebra vertiginosa
no preço do petróleo tiver um impacto modesto na sua carteira. Entre muitos
consumidores vem sendo habitual a sensação de que as gasolineiras são mais
rápidas a subir os preços do que a descer. E, com as quedas históricas do
petróleo desta semana, muitos se questionarão sobre se também os preços de
venda ao público da gasolina e do gasóleo terão quedas históricas. O tema gera
perplexidade. Mas do poço de petróleo até ao tanque do nosso carro vai um longo
caminho. É esse percurso que agora fazemos.
O mercado dos combustíveis tem as suas
especificidades, mas não é, afinal de contas, tão diferente de outros mercados:
aquilo que o consumidor paga pelo que leva para casa é um somatório de custos
(e impostos) que vai muito além do custo da matéria-prima ou do consumível.
Quando compramos uma garrafa de água no supermercado pagamos muito mais pelo
plástico que levamos do que pela água que está lá dentro.
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