terça-feira, outubro 08, 2019

ACORDO POLÍTICO PARA A LEGISLATURA 2019-2023 ENTRE O PSD-MADEIRA E O CDS/PP-MADEIRA

Enquadramento
 
A eleição de 22 de Setembro de 2019, para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, consagrou o PSD/Madeira como partido mais votado e logo com a responsabilidade de constituir uma solução de Governo estável, duradoura e credível para a Região.
Face aos resultados e á distribuição de mandatos na Assembleia Legislativa, o CDS/PP-Madeira, terceiro partido mais votado, manifestou disponibilidade para um entendimento com o PSD/Madeira, respeitando a primazia do princípio do partido mais votado, através da constituição de uma maioria parlamentar legítima e coerente, em detrimento de uma coligação negativa.
A defesa dos interesses da Madeira e do Porto Santo exige estabilidade política e governativa, fundamentada na legitimidade parlamentar indispensável para governar e para desenvolver uma solução política para a Região que preconize as melhores soluções para a qualidade de vida dos nossos concidadãos e respostas afirmativas aos desafios e às novas realidades.
Perante este desígnio, o PSD/Madeira e o CDS/PP-Madeira assumem esta convergência política e comprometem-se a cumprir este Acordo, nos seguintes pressupostos:

1.   A constituição de uma maioria parlamentar estável e solidária, capaz de garantir um Governo legítimo e coeso, que assuma os destinos da Região Autónoma da Madeira ao longo da legislatura 2019-2023;
2.   A defesa intransigente da Autonomia e dos Poderes da Região, bem como o aprofundamento no quadro da Constituição Portuguesa e do Estatuto Político Administrativo, e a exigência de respeito e de cumprimento, por parte do Estado Português, dos direitos dos cidadãos portugueses da Madeira e do Porto Santo. 
3.   A consciência da importância do projeto europeu para o desenvolvimento económico, social e territorial da Região e da necessidade de um compromisso político renovado da parte das instituições europeias para com as regiões ultraperiféricas, com vista a um tratamento especial e diferenciado;
4.   A integração e a afirmação da Madeira no espaço Atlântico, com especial enfoque na Macaronésia e nas parcerias estratégicas com os Açores, Canárias e Cabo Verde;
5.   A coerência dos valores e dos princípios dos dois partidos, assentes no primado da pessoa humana, na liberdade, na igualdade de oportunidades para todos, bem como tendo em conta o legado histórico que ambos possuem na conquista e defesa da Autonomia e da Democracia;
6.   A criação de um Programa de Governo que corresponda às expectativas da população, com base no programa eleitoral do PSD-M, complementado pelo programa eleitoral do CDS/PP-M, acentuando a proximidade e a convergência programática e ideológica de ambos e em total respeito pelas naturais e saudáveis diferenças entre respetivos programas eleitorais;

Compromisso de Governo

O XIII Governo Regional é constituído pelos dois partidos subscritores deste acordo, liderado pelo Presidente da Comissão Política Regional do PSD/Madeira e Presidente do Governo Indigitado, sobre quem recai a exclusiva responsabilidade de constituir o Governo Regional.
A sua composição está em total respeito pelos princípios, diferenças e matrizes identitárias de cada um dos partidos componentes, assim como pela dimensão e proporcionalidade dos seus mandatos parlamentares.
O acordo, agora celebrado, vincula os subscritores durante o período de duração da legislatura, e impõe que as direções e os órgãos próprios dos dois partidos se comprometam a envidar todos os esforços no sentido de garantir essa continuidade.
Os membros do Governo Regional da Madeira pautam a sua atuação pelo estrito cumprimento dos deveres de solidariedade e de lealdade entre si e em total consonância com o Presidente do Governo Regional.
Os Princípios Programáticos e de Ação do Governo são construídos com base nas prioridades definidas no programa eleitoral apresentado pelo PSD/Madeira complementado pelo programa eleitoral do CDS-PP/Madeira.
São acordadas as seguintes sete prioridades:

1.   A defesa da Autonomia e o respeito da República pela Madeira, nomeadamente no aprofundamento dos poderes da Região, na criação de um sistema fiscal regional, na comparticipação do Estado nos sistemas regionais de saúde e educação quando no exercício de tarefas fundamentais do Estado nos termos constitucionais, no cumprimento do Princípio da Continuidade Territorial, na resolução da Mobilidade aérea e marítima, na (re)negociação da redução dos juros do empréstimo do Estado à Região, e nos assuntos pendentes entre a Região e o Estado e na defesa do Centro Internacional de Negócios;
2.   A prossecução de boas contas públicas, que se traduzam na redução dos impostos para as famílias e as empresas, no desenvolvimento económico e na criação de emprego, no reforço da importância do Turismo, na estratégia do Mar, na aposta na competitividade e inovação, no investimento na Economia Digital e nas Tecnologias de Informação, na modernização do sistema de transportes terrestres e na valorização dos recursos humanos da administração pública.
3.   A coesão social com mais inclusão e melhores oportunidades para todos, através de uma maior justiça social, com uma melhor distribuição da riqueza, no combate ativo à pobreza, na valorização dos apoios sociais aos mais desfavorecidos e desprotegidos, desde os mais novos aos mais idosos e na melhoria e reforço da habitação.
4.   A aposta na Saúde, na segurança e no bem-estar das populações, como prioridade política e orçamental, apostando na qualidade do Sistema Regional de Saúde, ao nível dos recursos humanos e materiais, assim como ao nível das infraestruturas, com destaque especial para a construção do Novo Hospital, assegurando a comparticipação do Estado em 50% do valor da sua construção e equipamentos. Empenho em novas medidas e novos modelos de gestão capazes de melhorar os cuidados de saúde aos utentes. 
5.   A defesa do nosso território, a proteção do Ambiente e dos recursos naturais, e a promoção do Produto Regional, resultante de um reforçado compromisso com o combate às alterações climáticas, que se materialize na adoção de políticas ambientais seguras e intransigentes que, simultaneamente, defendam o território, protejam o ambiente, promovam as energias limpas e uma eficiente gestão da água, e valorizem os produtos regionais.
6.   A elevação do nosso conhecimento, a promoção da nossa cultura e a valorização da nossa identidade, através do aprofundamento da inovação, da valorização dos recursos, da defesa das tradições, do apoio às artes e do papel ativo das Comunidades Madeirenses.
7.   A valorização da cidadania, a aposta na juventude e o reconhecimento do desafio demográfico e geracional, em que a Família e valores como integração, inclusão e igualdade se constituem como referenciais da ação deste governo. A cidadania também se assume com o empenho numa ação concreta em favor do bem-estar animal.

Compromisso Parlamentar

Os resultados das eleições regionais definiram uma nova configuração parlamentar.
O PSD-M obteve 21 mandatos e o CDS/PP-M 3, assegurando desta forma a maioria parlamentar para a legislatura 2019-2023.
Para concretizar esse objetivo, que é comum, os partidos signatários, chegaram a um acordo parlamentar que sustenta de uma forma efetiva e solidária a estabilidade parlamentar e governativa, em total respeito pela identidade de cada partido, assumindo o princípio da colaboração ativa e permanente entre as Direções dos Grupos Parlamentares e os respetivos Deputados.
 Desta forma, o PSD-M e o CDS/PP-M comprometem-se a acordar previamente e a votar solidariamente, em sede parlamentar, designadamente, as seguintes questões:
1.      Programa do Governo;
2.     Moções de confiança e de censura;
3.     Orçamento e Plano Anuais e Retificativos;
4.     Propostas de decretos legislativos;
5.     Projetos de decretos legislativos
6.     Eleições dos órgãos internos e externos da Assembleia Legislativa;
7. Outras iniciativas ou matérias parlamentares, designadamente votos e resoluções que, pela sua natureza ou finalidade possam contender com o espírito e âmbito deste acordo;

As direções de cada Grupo Parlamentar devem garantir:

1.   A consulta prévia para a concertação da atividade parlamentar, se necessário com reuniões conjuntas.
2.   A informação prévia em todas as iniciativas legislativas de cada um dos partidos, a par do desenvolvimento de esforços para a viabilização das mesmas.
3.   A não apresentação ou viabilização de qualquer iniciativa legislativa ou parlamentar que colidam com o Programa do Governo ou com o Acordo entre ambos os partidos.
4.   A convergência política nos pareceres e nas iniciativas legislativas de âmbito nacional, com vista a defender os interesses da Madeira e do Porto Santo.

Atividade partidária

Cada partido preserva a sua atividade e identidade partidária, respeitando os termos deste acordo.

Disposição Final

O presente acordo resulta do trabalho conjunto das partes e reflete a sua vontade, configurando as bases programáticas e os princípios orientadores para a XII Legislatura da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira e do XIII Governo Regional da Madeira, sem prejuízo da sua ratificação pelos órgãos do PSD/Madeira e do CDS/PP-Madeira e da assinatura dos respetivos Presidentes.

Funchal, 1 de Outubro de 2019
Signatários
  
Miguel Albuquerque
(Presidente da Comissão Política Regional do PSD)

Rui Barreto

(Presidente da Comissão Política Regional do CDS-PP)

domingo, outubro 06, 2019

SIC: Portugal tem agora 3 cardeais na linha de sucessão ao Papa


SIC: O momento em que Tolentino Mendonça se torna 6º cardeal português


TVI24: A história de vida de Tolentino Mendonça


SIC: Cardeal Tolentino de Mendonça "muito feliz" pela nomeação


SIC: Elevação de Tolentino de Mendonça a cardeal "é um enorme orgulho para a Madeira" (Albuquerque)


TVI24: Madeirenses visitaram arquivos secretos do Vaticano com a ajuda de Tolentino


TVI24: Amigos de Tolentino fizeram questão de viajar até ao Vaticano


TVI24: Poeta Tolentino Mendonça é o segundo cardeal mais jovem do Vaticano


Legislativas (RAM e Pais) em quadros pequenos



(lfm)

Nota: a hipocrisia socialista na Madeira

Não sou hipócrita, obviamente. Ando há muitos anos a "virar frangos"  na política, suficientes para saber o que está em cima da mesa e que chão piso.
Quando se questiona um determinado "establishment" que agrada a alguns se concretize - mesmo que contestado na surdina - há logo uns bandalhos que saltam da pocilga insultando as pessoas, em vez de trocarem ideias que no fundo sabemos que não têm. São uns merdas que nem sequer são capazes de discutir, refugiando-se no insulto fácil escondido (até ver...) num anonimato muito alargado, em termos de protagonistas, reunindo na mesma retrete agentes políticos do "contra", comentadores de jornais e alegadamente outros profissionais da comunicação social (?) - desconheço se no activo ou se retirados das redações - o que a confirmar-se, neste último caso, seria uma das minhas maiores desilusões. E é por isso que me delicio com a hipocrisia dos socialistas locais e seus tapetes que usam as redes sociais e os meios de comunicação social em geral para darem expressão de crítica ou de  "solidariedade" com o CDS, criticando-o por não se ter virado para eles ou incentivando-se a exigir sempre e mais na esperança de uma crise na potencial coligação.
Delicio-me também com a hipocrisia idiota da orquestra socialista contra a maioria absoluta na Madeira mas que passou a campanha eleitoral para as legislativas de 6 de Outubro a reclamar timidamente uma maioria absoluta e que esquece que governa nos Açores com outra maioria absoluta que tanta urticaria lhes causava na Madeira.
No fundo - e bastaria ver a dialéctica, por vezes dura, que marca nestes anos em Lisboa o confronto entre PS e CDS para percebermos isso - mais do que a questão ideológica o que os socialistas pretendem, com esse "aliciamento" ao CDS é sobretudo a vã esperança que este lhes faça o frete de subverter na Madeira o que eles fizeram em Lisboa em 2015 e que penalizou o CDS. Lembram-se? Eu recordo.
Quando em 2015, em Lisboa, PS,Bloco e PCP, que perderam as eleições, chegaram a acordo e pariram a geringonça, que garantiu o apoio parlamentar necessário a uma Legislatura sem tremideiras, o que estava em cima da mesa era apenas e só o assalto e a conquista do poder, subvertendo os resultados eleitorais, mas com a legitimação que lhes é propiciada por um regime parlamentar como o nosso.
A coligação PSD-CDS - que muita porcaria fez durante 4 anos de troika - apesar de tudo, e estranhamente, ganhou as eleições com quase 40% dos votos - 2.074.975, 38,4% - e que tinha conquistado apenas 107 dos 116 mandatos que lhe garantiriam a maioria absoluta. Nesse contexto os partidos que somaram 50,5% dos votos e 2.744.557 votos - aproveitaram o facto de terem juntos 122 mandatos, maioria absoluta garantida, para celebrarem, um acordo que colocou apenas o PS no governo mas que lhe garantiu em São Bento uma almofada parlamentar que apesar de ter incomodado - será mesmo que incomodou ou foi tudo palhaçada? - PCP e Bloco, garantiu o cumprimento da Legislatura sem grandes problemas. Aliás, depois das autárquicas de 2017 e das europeias de 2019, a dúvida para o 6 de Outubro é saber até que ponto o PS voltará a "esmagar" os seus parceiros, particularmente o PCP que só demasiado tarde percebeu (?) que morreu com os seus próprios tiros-nos-pés, algo que o Bloco também só mais tarde, já nesta campanha eleitoral para as legislativas, percebeu que lhe poderia suceder. Ou se não se trata de "esmagamento" eleitoral trata-se de dissipar dúvidas e saber quem recolhe as mais-valias da geringonça.
Salvaguardando as dificuldades - porque nas autárquicas houve coligações e listas que não se candidataram a todos os órgãos autárquicos no país - vejamos o seguinte:
Legislativas de 2015
Abstenção - 44,1%
PS - 1.747.685, 32,3% (1.568.168 votos, 28,1% em 2011)
Bloco - 550.892, 10,2% (288.973 e 5,2%)
PCP - 445.980, 8,3% (441.852 votos e 7,9% em 2011)
Autárquicas de 2017
Abstenção - 45,0%
PS - 1.956.618, 37,8% (1.812.029 votos e 36,3% em 2013)
Bloco - 170.039, 3,3% (120.982, 2,4%)
PCP - 489.089, 9,5% (552.690 votos, 11,1% em 2013)
Europeias de 2019
Abstenção - 69,3%
PS - 1.106.345, 33,4% (1.033.158  votos, 31,5% em 2014)
Bloco - 325.534, 9,8% (149.628, 4,6%)
PCP - 228.157, 6,9% (416.446 votos, 12,7% em 2014)
Regionais de 2019 (Madeira)
Abstenção - 44,9% (50,3% em 2015)
PS - 51.207 votos, 35,8% (14.575 votos, 11,4% em 2015, coligado com PTP, PAN e MPT)
Bloco - 2.489 votos, 1,7% (4.850, 3,8%)
PCP - 2.577 votos, 1,8% (7.060, 5,5% em 2015)

sexta-feira, outubro 04, 2019

Opinião: Ajuda aos venezuelanos no Norte do Brasil

O segundo maior movimento migratório em curso no mundo está a acontecer na América do Sul, e não tem precedentes no continente. Devido à crise na Venezuela cerca de quatro milhões de pessoas deixaram o país desde 2016. Este número só é menor do que o gerado pelo conflito sírio, e a expectativa é de que, até ao final do ano, os migrantes venezuelanos ultrapassem os cinco milhões.
Com um êxodo desta magnitude, é inevitável que a crise afete vários países da região — o Brasil não é exceção. A estimativa é de que aproximadamente 200 mil venezuelanos já tenham cruzado a fronteira rumo ao Brasil, e Roraima é o estado onde se concentra o maior número destes migrantes. Dados oficiais indicam que, da população de 350 mil habitantes da capital estadual, Boa Vista, pelo menos 40 mil sejam da Venezuela.

ONU confirma o pior cenário para Portugal

A imagem do Terreiro do Paço submerso no final do século não é nova, mas foi esta semana confirmada pelo mais recente relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) dedicado aos oceanos e à criosfera (partes congeladas da Terra). O documento, divulgado esta quarta-feira no Mónaco, iça a bandeira vermelha para o planeta azul e alerta para a “urgência” de ações “ambiciosas e coordenadas” para reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito de estufa já a partir de 2020. Só assim, dizem os cientistas, se podem enfrentar as mudanças “sem precedentes”, algumas das quais já se fazem sentir de forma “irreversível”.
No que toca a Portugal, o relatório não entra em pormenores, mas o investigador Carlos Antunes não tem dúvidas de que o documento do painel científico da ONU (que resulta da compilação de mais de 7000 estudos produzidos por mais de 100 cientistas) confirma as projeções que a sua equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa traçou para o território português na “Cartografia de risco costeiro associado à subida do nível do mar como consequência das alterações climáticas”.

Os ‘portus’ da Venezuela são os ‘miras’ da Madeira

Serão entre oito e dez mil. O número é uma estimativa já que ninguém sabe exatamente quantos emigrantes portugueses e lusodescendentes chegaram à Madeira nos últimos quatro anos vindos da Venezuela. Mais certa é a quase total ausência de discriminação na nova terra. “Há relatos pontuais de bullying nas escolas e queixas contra patrões que se aproveitaram da fragilidade dos empregados, mas não podemos falar de xenofobia. Os venezuelanos não são estranhos, existe uma comunidade há anos a viver na Madeira, há laços familiares. Estes são os netos e os bisnetos de madeirenses. É natural existir uma certa resistência quando se ouve falar em espanhol na rua, nos cafés, quando há arepas [pão de milho] à venda em todo o lado. Mas, como digo, são casos pontuais”, explica William Figueira, psicólogo e responsável pelo único estudo à forma como a comunidade luso-venezuelana foi acolhida no arquipélago.
Quem chega também se sente confuso. “Na Venezuela éramos os ‘portus’, aqui somos os ‘miras’. Eu, por exemplo, era conhecido como o professor português que dava aulas na universidade, aqui sou o psicólogo venezuelano. Do ponto de vista da identidade fica-se sem saber a que cultura ou lugar se pertence”, acrescenta. Para William, porém, esta confusão é uma oportunidade, uma prova de resiliência, sendo certo que, se houver apoios, a integração corre melhor. Mas na Madeira as ajudas não ganharam a forma de planos específicos.
Elisabete Benedito junto à imobiliária onde trabalha

A administração pública regional optou por encaminhar os migrantes, que são cidadãos portugueses, para as ajudas sociais disponíveis. Os dados mostram que mais de seis mil estão inscritos no serviço regional de saúde e mil no Instituto de Emprego da Madeira. As contas do governo regional também indicam que, nos últimos anos, mais três mil luso-venezuelanos conseguiram encontrar trabalho. A maioria está nos restaurantes, cafés, hotéis e lojas. Uma parte menor conseguiu equivalência dos cursos e está a trabalhar nas áreas de formação.
A entrada de mais 1400 alunos nos estabelecimentos de ensino da Madeira ajudou a compensar a quebra de alunos e permitiu manter abertas escolas e garantir trabalho aos professores. Para colmatar a dificuldade que muitos têm em falar a língua do país de acolhimento, há aulas de português nas escolas, paróquias e universidade.

TAP à espera da salvação no 2º semestre

Depois da tempestade que foi a divulgação antecipada de um prejuízo de €119,7 milhões da TAP no primeiro semestre — o pior resultado semestral desde a privatização —, o silêncio instalou-se. Tanto a companhia aérea como o Governo, que recebeu com bastante irritação os resultados, optam por não fazer comentários. Mas as poucas mensagens que passam vão no sentido de que as contas vão melhorar significativamente.
Sobre os maus resultados do primeiro semestre foram internamente apontados responsáveis, atendendo nomeadamente à quebra das receitas de passagens no Brasil. A culpa recaiu sobre Elton D’Souza, o responsável pela área de gestão de receitas, que saiu em julho para assumir a presidência da operação europeia da Netjets. A ideia de que é o responsável por parte do tropeção da TAP circulou logo na sexta-feira da semana passada assim que os resultados foram divulgados. Aliás, a par do aumento dos custos com o pessoal, o Brasil foi apontado como um dos dois fatores responsáveis pelo mau desempenho: a descida das receitas neste país, no semestre, foi de €43,1 milhões.

Nota: diferentes? Mesmo?

Há quem esteja a depositar esperança nos resultados eleitorais das legislativas de 76 de Outubro, sobretudo em termos do que serão as votações dos 5 maiores  partidos - PSD, PS, CDS, PCP e Bloco.
Dizem os apologistas de um argumento plausível, que tratando-se de eleições diferentes e não estando a governação regional em cima da mesa, é natural que a abstenção aumente comparativamente com a anterior, e que as votações dos partidos sejam substancialmente diferentes.
Ou seja, os eleitores que votaram Cafofo em 22 de Setembro não sei se estarão disponíveis para votar Carlos Pereira e Orlando Câmara em 6 de Outubro. A começar pelo próprio universo eleitoral do PS. Continuo a pensar que mais de 20 mil votos – no mínimo – obtidos pelo PS-M se ficaram a dever a e à sua prometida mudança, e não ao PS que sozinho não vale essa expressão eleitoral, nunca valeu. Aliás, até em termos financeiros o PS-M tem que estar agradecido a Cafofo porque os resultados de 22 de Setembro permitem aos socialistas locais, em     queda desde 2004, resolver problemas financeiros complicados que existem nos outros partidos, não sendo um exclusivo do PS ou do PSD.
Quanto ao PSD a expectativa (errada mas aceitável) é a de esperar - mas pergunto se esse não foi o objectivo nas regionais de 22 de Setembro, salvo se a política é mais maquiavélica do que se imagina... - que PCP e Bloco não votem de uma forma tão acentuadamente útil a favor do PS. Isto porque tratando-se de um acto eleitoral que, embora dele dependendo o futuro governo do país - e a velha história da maioria absoluta em São Bento – persiste muita indefinição num acto eleitoral que não assenta numa lista única mas em candidaturas distribuídas por 23 círculos eleitorais (Continente, ilhas e emigração).
Mas será que alguém acredita que o PCP e o Bloco estariam interessados, nas eleições regionais, que são as mais importantes de todas, em perder juntos mais de 6.800 votos (12.100 votos se contarmos a JPP) e 3 deputados regionais (5 deputados com a JPP)? Ou seja, o Bloco e o PCP têm apenas um eleitorado fixo que é muito pequeno, que não garante sequer a certeza da eleição de mandatos - sobretudo o Bloco – ambos vivendo por isso das oscilações ditadas pelas variações da política interna e externa.
Acresce que os resultados das eleições regionais foram influenciadas por três factores em concreto que associo:
  • redução da abstenção por via de mais 15.600 eleitores votantes;
  • menos 2.200 votos brancos e nulos;
  • queda eleitoral dos partidos à esquerda (PCP, Bloco, JPP e PCTP) de mais de 13.600 votos;
  • queda eleitoral na direita (CDS, PND, PNR) de 12.700 votos;
  • queda eleitoral do PSD de 125 votos.


Estamos a falar de mais de 44 mil votos entre mais votantes, menos brancos e nulos e perdas dos partidos. Basicamente constata-se que PCP e Bloco não controlam os eleitores que neles votam e que em 22 de Setembro, estou convencido, votaram em Paulo Cafofo - mesmo não sendo eleitores do PS - na expectativa de uma mudança política que ficou a cerca de 5.000 votos de acontecer e sem saberem bem do que se tratava.
É por isso possível e natural que o PCP e o Bloco voltem a uma votação mais real - embora as candidaturas não tragam nada de novo aos madeirenses - mas o mesmo se coloca, em termos de desafio que transcende as eleições de 6 de Outubro, ao PSD e ao CDS. Desde logo a dissipação das dúvidas, uma espécie de "legitimação" confirmada (cuidado com as aspas...) indirecta da potencial coligação regional. Dificilmente o CDS, por razões políticas locais e nacionais, elegerá de novo um deputado que já teve em S. Bento. Se o fizesse seria surpreendente. Também não vejo o PSD com uma candidatura, apesar de liderada por Miguel Albuquerque, susceptível de travar a influência dos ventos da governação da geringonça na RAM, e de mobilizar eleitores numa dimensão susceptível de operar qualquer mudança no previsível cenário de 3 mandatos. Menos que isso seria uma derrota que poderia, no caso de ser extrapolada – penso que não faz sentido mas há quem o faça – colocar muito em causa, pelo menos questionar muita coisa.

Por isso, julgo que se depois das regionais fosse possível apresentarem as listas de candidatos à Assembleia da República, provavelmente as escolhas e as estratégias dos partidos regionais seriam substancialmente diferentes (LFM)

Canárias: política com senhores

Presidente do parlamento de Canárias (PSOE)

O socialista Gustavo Matos foi eleito presidente do Parlamento de Canárias na X Legislatura iniciada em Junho de 2019, ao obter 36 votos a favor, do de PSOE, Nueva Canarias, Podemos y Agrupación Socialista Gomera, 33 em branco da Coalición Canaria e do Partido Popular, e nenhum contra.
Curiosamente o PSOE teve apenas 25 dos 70 deputados eleitos, 257.642 votos correspondentes a 28,9%. A Coligação Canárias, nacionalista - algo que em Portugal está proibido e dá cadeia - teve 18 mandatos, 194.845 votos e 21,8% e o PP totalizou 135.573 votos, 15,2% e 11 deputados. Os outros mandatos foram distribuídos pelo Podemos com 4, Associação Socialista Gomera, também com 3, Nueva Canarias (NC), partido político nacionalista de centro-esquerda com 80.592 votos, 5 deputados e 9% e os Cidadãos com 2 deputados, 65.830 votos e 7,4%.
A VOX da extrema-direita ficou-se pelos 22.021 votos, 2,5%, sem deputados. Concorreram 27 partidos, alguns deles apenas em ilhas em concreto porque Espanha permite partidos regionais, algo que a Constituição em Portugal proíbe.
No parlamento formaram-se cinco grupos parlamentares: socialista com 25 deputados, Nacionalista Canário com 20 (Coalición Canaria,18, Partido Nacionalista Canario,1 e Agrupación Herreña Independiente,1), Popular com 11, Nova Canárias com 5, Podemos-Canárias com 4 e Grupo Misto com 5 ( Agrupación Socialista Gomera (ASG), 3 e Ciudadanos, 2).

Presidente do Governo de Canárias (PSOE)

Já Ángel Víctor Torres, do PSOE, foi eleito presidente do governo de Canárias desde 16 de julho de 2019.

Nota: se não gostarem de ler, sugiram que entrego o cartão

Se há coisa que não faço é calar-me por imposição. Por isso, e sempre numa lógica política onde os nomes nada importam - até porque respeito as naturais ambições de quem anda na política independentemente das motivações e dos interesses pessoais subjacentes a determinadas reivindicações - abordarei um tema incómodo, deixando-me de hipocrisias. Falo de um potencial embuste político que deixa o PSD-M refém de pessoas do CDS-M durante 4 anos - não do CDS-M e da sua estrutura institucional que pouco ou nada pode fazer, depois de ter aceite uma estranhíssima nomenclatura para o partido local e que se constata agora ter sido imposta com claras intenções subjacentes e que agora descortinamos. Tudo disfarçado por uma treta de um acordo que não garante estabilidade política coisa nenhuma. Há mais assanhados prontos a saltar para a arena com os dentes bem à vista, sedentos de vingança!
E quando digo que não há garantia de estabilidade para esta coligação faço-o no pressuposto de que se não for feita chantagem com a presidência da Assembleia como é hoje o caso, amanhã será feita chantagem sobre qualquer outra coisa e com os mesmos protagonistas, ou outros ainda camuflados (não eleitos), desta história. 
Aviso desde logo: se não gostarem do que escrevo, podem resolver fácil e rapidamente o assunto: sugiram que entrego imediatamente o meu cartão de militante do PSD, que data de 1974, quando ainda terminava o antigo Liceu e não havia a ânsia de sobrevivência no poder ou de finalmente chegar ao poder. Os desafios eram outros. Isto se entretanto não o fizer por “motu próprio”.
Direi apenas que este desfecho foi negociado entre 2 pessoas - se o PS-M precisasse do CDS para ganhar o poder. Desconheço quais foram as contrapartidas. Só sei que PS e CDS locais foram mantidos à margem de tudo, na medida em que tudo dependia dos resultados eleitorais...
Algumas ideias ou dúvidas que abordarei:
1.
Esta palhaçada foi negociada antes das eleições por JMR e Cafofo, que mantiveram o PS-M e o CDS-M desinformados de tudo, concretamente foi um entendimento abordado há quatro meses, depois das europeias, e selado durante uma festa religiosa em que os dois foram convidados de honra?
2.
Há uma troca de favores subjacentes a tudo isto ou há um "pagamento" prometido por favores pessoais que concedidos no âmbito de outras funções e noutras instituições? E que ramificações tudo isto tem com o mundo privado incluindo com operações de financiamento partidário?
3.
Se os deputados votam por voto secreto, nos termos regimentais, então porque razão fazem estes acordos prévios transformando os deputados em potenciais palhaços? Como é que se admite, sabendo o PSD-M e CDS-M de tudo isto, que eles assinem um acordo - pelo que li - através do qual o PSD-M garante ao CDS-M uma vice-presidência do parlamento (o CDS-M perdeu esse direito ao eleger 3 deputados)? Que raio de palhaçada é esta? Querem fazer as pessoas de idiotas ou passar-lhes um atestado de menoridade?
4.
Se são precisos 5 deputados, nos termos regimentais, para formalizar uma candidatura a presidente da Assembleia e o CDS-M (que perdeu 4 deputados, mais de 9 mil votos, ficou reduzido a 5%, etc, etc) apenas tem 3 deputados, quem vai fazer isso? Porque não vai JMR pedir as assinaturas do PS-M?
5.
Se alegadamente existe a ameaça de passagem a "independente" de alguém do CDS, e que inclusivamente teria garantido que se não fosse candidato à presidência do parlamento, se "vendia" ao PS-M - desculpem a frontalidade, mas é isso tem sido dito nos bastidores e será isso que vai ser usado como única explicação para que o PSD-M aceite se ridicularizado desta forma - então arrisquem e façam, com que isso aconteça. Logo veremos o povo se se vai revoltar ou não e qual o futuro do CDS. Deviam ter feito já antes destas eleições de domingo e logo veríamos...
6.
O PS-M só por incompetência e por burrice é que neste quadro não apresenta candidato próprio ao parlamento. Eu se fosse dirigente socialista dava isso por adquirido. Sei - não vou discutir como sei - que PCP e JPP não votam no candidato JMR. Desconheço se o PS-M - agastado por alegadamente não lhes ter sido feito o frete político e parlamentar prometido e negociado - votará na personagem, porque acho que entre os socialistas, mesmo que a fome de poder seja evidente, haverá ainda um rasgo de dignidade e de ética - mesmo que na política isso conte cada vez menos. Por isso isto promete.
7.
Finalmente, lembram-se do que se passou na Assembleia da República, em 2011 - maioria PSD de Passos e CDS de Portas - quando a eleição de Fernando Nobre, presidente da AMI e deputado do PSD sugerida - primeira grande asneirada do tipo - foi derrotada após duas tentativas surgindo então Assunção Esteves como alternativa? O CDS nem fez estas palhaçadas. Eu sei, a política, concorde-se ou não com o que fizeram, ainda tem senhores.
8.
Repito, não me interessam as pessoas - todas elas têm direito a ambicionarem o que acham que é melhor para elas que ninguém tem nada a ver com isso. Tenho medo, isso sim, das pessoas hipócritas que dizem que andam na vida sem objectivos, sem ambições. Nem falo sequer da capacidade das pessoas para exercerem cargos e funções, porque nem é isso que está em causa, nem poderia ser suscitado sequer neste caso em concreto. Falo apenas e só de política pura e dura, do principal órgão da autonomia regional - pelos vistos será protagonista der uma história pouco dignificante se o caos se instalar no processo eleitoral - que todos reconhecemos que não dá nem tira votos, é puramente emblemático o lugar, falo de uma triste ideia que se passa para a opinião pública - há que controlar estes danos rapidamente - de que em nome da sobrevivência no poder, tudo vale.
9.
Com algum humor, mas que na realidade esconde uma "fúria" interior, direi que ainda bem que resolveram fazer negociações rapidamente mesmo sem darem cavaco às bases - o processo é todo ele ao nível das elites dirigentes - porque por este andar a esta hora nem Miguel Albuquerque porventura saberia se seria candidato a Presidente do Governo no quadro desse acordo politico misterioso e das jogadas de bastidores que todos conhecem, mas todos garantem que "nada sabem"...  (LFM)

quinta-feira, outubro 03, 2019

Nota: uma campanha que existiu mas pouco

Todos já perceberam que a campanha eleitoral para as eleições legislativas de domingo na Madeira, praticamente "desapareceu".
A explicação tem, em meu entender, duas componentes distintas: por um lado as eleições regionais de 22 de Setembro foram altamente disputadas, radicalizadas por uma bipolarização que deixou marcas, praticamente pulverizou os pequenos partidos, e foi tremendamente desgastante em termos de mobilização das máquinas partidárias, isto no caso dos principais e maiores partidos.
Enquanto para as eleições regionais, sem dúvida a dizerem muito mais ao eleitorado madeirense que as legislativas nacionais, foi evidente, repito e insisto, que os partidos mobilizaram tudo o que podiam, em meios e recursos humanos no terreno, gastaram dinheiro, quiçá nalguns casos até mais do que tinham, pelo que ficaram sem condições para duas semanas depois manterem o mesmo ritmo, a mesma dinâmica. 
Os cartazes foram diminutos, a presença no terreno foi mais reduzida e mais discreta, os comícios não aconteceram, os tempos de antena são nacionais, etc.
As candidaturas bem se esforçaram mas foi mais do que evidente que a campanha assentou em visitas a instituições que levavam a reboque os meios de comunicação social para os quais as candidaturas peroravam o que lhes apetecia e interessava, sobretudo abordando matérias enquadradas nas relações entre o Estado e a Região e particularmente as responsabilidades que o Estado tem para com a Madeira e que está longe de as cumprir.
O segundo ponto tem a ver com os recursos financeiros escassos. A Assembleia da República - tal como o fez para a campanha eleitoral para as regionais - atribuiu aos partidos determinadas verbas (depois cabe à Entidade de Contas dos Partidos controlar as despesas feitas e as contas finais da campanha e denunciar eventuais desvios). No caso das eleições regionais - a Madeira foi a única região do país a ter dois actos eleitorais separados por duas semanas - foi público que das 17 candidaturas às regionais da Madeira, 16 previam gastar um total de 1,3 milhões de euros nas campanhas, com o PS a encabeçar a lista das despesas, já que apenas o MPT alegava que não gastava dinheiro dos contribuinte, talvez consciente da sua insignificância eleitoral.
Globalmente a Assembleia da República orçamentou para 2019 11 milhões de euros para
financiar as campanhas eleitorais de 2019.
Lembro que no caso da campanha eleitoral para as legislativas e tendo o PS, de novo, a ser o mais gastador com 2.5 milhões de euros, seguido do PSD, com um orçamento de 2 milhões de euros. Mas os partidos com assento parlamentar estimaram gastar 7,4 milhões de euros na campanha.
Eu só espero que os resultados na Madeira não sejam traiçoeiros para os partidos - e há partidos que precisam de evitar qualquer cenário de desaire eleitoral, e o mesmo se aplica a alguns políticos que precisam ter a legitimação que qualquer processo eleitoral determina e não saírem deles politicamente fragilizados, porque isso acarreta problemas e questionamentos vários.
Espero também que a abstenção não seja elevada na Madeira pelos motivos atrás referidos (LFM)

Eleições regionais: as "outras" contas do CDS-Madeira

O CDS, apesar ao desfecho parlamentar, nas urnas foi um dos grandes derrotados, tendo perdido, comparativamente a 2015, mais de 9 mil votos e menos 4 deputados, a par de uma acentuada queda dos valores a auferir nos termos legais pelo parlamento madeirense com todas as repercussões negativas que dai resultam.
Como se verifica neste quadro - que mostra a votação do CDS em cada concelho e depois o peso de cada votação nos concelhos no total de votos do CDS na Madeira - é evidente que com ou sem bipolarização os centristas perderam em todos os concelhos. Sublinho também que Funchal e Santas Cruz representaram mais de 54% dos votos do CDS na RAM, valor que sobe para  quase 70% do total de juntarmos Câmara de Lobos ao Funchal e Santa Cruz (LFM)

Eleições regionais: as "outras" contas do PS-Madeira

Como se verifica neste quadro - que mostra a votação do PS em cada concelho e depois o peso de cada votação nos concelhos no total de votos do PS na Madeira - é evidente que com ou sem bipolarização os socialistas conseguiram o seu melhor resultado de sempre em termos absolutos de votos - com repercussões daí resultantes no parlamento regional e nas próprias verbas a distribuir por este aos partidos nos termos legais - e em termos percentuais. Lembro que nas regionais de 2007 o PS-M se tinha ficado pelos 37.898 votos - a melhor votação em regionais até hoje, mas que corresponderam apenas a 27,52% que era também o valor mais elevado em eleições regionais. Sublinhe-se contudo que Funchal e Santa Cruz juntos representaram quase 60% dos votos do PS (ou de Paulo Cafofo?) (LFM)

Nota: Álvaro Cunhal, sempre actual...

Quando comento questões em concreto da vida política a última coisa que me importo é com nomes. Sou amigo de muitas pessoas, algumas há muitos anos, não tenho motivos nenhuns para estar contra elas, independentemente de concordar ou não com elas e de entender que há procedimentos que surpreendentemente demonstram que uma determinada estatura que julgamos existir, afinal era (é) ilusória. Talvez até perceba, talvez até encontre "justificações" mas sobre isso não direi rigorosamente nada. Que isto fique claro, não confundindo amizade com política, nem valorizo a questão pessoal numa análise política que faça. Limito-me a fazê-lo numa perspectiva daquilo que lógica política, se quiserem da ética política, da racionalidade na política, da confrontação entre as ambições pessoais dos protagonistas e aquilo que o bom senso e o respeito pela vontade expressa pelas pessoas recomenda. Eu sei que nestes quadros políticos recentes, em que a política se faz pela negociação, as pessoas se interrogam sobre se o principal desses processos é a lógica de uma governação - em nome de um projecto novo que aglutine ideias e propostas de dois ou mais partidos (em Canárias a coligação criada pelo Pacto das Flores envolve são 4 partidos) - ou apenas e só a preservação do poder ou a chegada ao poder. É natural. Mas o que eu sei é que estes processos políticos negociados deixam sempre marcas e que o futuro se encarrega sempre se clarificar as coisas, derrubando na caminhada do tempo os que se portaram mal e aqueles que trocaram a tal lógica por um prato de lentilhas, pela dependência do mediatismo que garante - curiosamente, só em sociedades de merda como a nossa - estatutos sociais inimagináveis, a par da vaidade pessoal e da ânsia do dinheiro. O dinheiro que tantas vezes cega as pessoas. Aliás não é por acaso que, alegadamente, se andam a tentar a saber salários de cargos quando nem sequer as pessoas estão eleitas - outras nomeadas depois disso - num processo que sendo secreto, não deixa de apelar a dignidade e à coerência de quem nele participa.
Desconfio que Álvaro Cunhal, mais do que nunca, tem razão. Recordo - ressalvando a diferença dos actos eleitorais em questão - que ele, que nunca foi com a cara de Mário Soares, com quem mantinha uma inimizade pública indesmentível, numa eleição presidencial, pediu aos comunistas que na segunda volta - Freitas do Amaral versus Mário Soares - votassem no antigo líder do PS nem que tivessem que tapar a cara de Soares no boletim de voto e no momento da votação (LFM)

Nota: Terceiro desaire? E depois?

Embora se refugie na teoria de que para o JPP as autárquicas de Santa Cruz são o objectivo principal - o que já se percebeu que deixou de ser quando se transformaram em partido - é mais do que evidente que um eventual 3º desaire eleitoral, nas legislativas nacionais de 6 de Outubro, depois da ausência das europeias (opção tomada por clara cautela defensiva, mas que não deixa por isso de constituir um desaire revelador de alguma impotência política), mas sobretudo nas regionais de Setembro, poderá questionar as própria liderança do partido.
A aparente unidade interna não é real porque há pessoas no JPP - cuja ideologia política é desconhecida - que defendem que depois das regionais o partido deve reposicionar-se no espectro político regional, sem ficar dependente seja de quem for, sem servir de muleta seja de quem for, mas sem manter uma posição "insonsa", procurando aos olhos dos eleitores justificar a sua utilidade fora da dimensão local - freguesia de Gaula - ou municipal - Santa Cruz. Porque é disso que falamos. Um partido que perdeu mais de 5 mil votos e 2 deputados  - e não foi apenas por ter sido alegadamente vítima de uma bipolarização que todos sabiam ser inevitável - que foi copiosamente derrotado em Santa Cruz e que se tornou insignificante eleitoralmente nos demais concelhos da RAM, tem muito que pensar e discutir, sem pressão, mas com pragmatismo.
É neste quadro que uma derrota nas legislativas de domingo pode questionar se existe ou não desgaste numa liderança partidária que não difere em nada das outras e que talvez por isso fez com que as pessoas tivessem votado em quem tinha realmente força política. Penso que o JPP já percebeu o que lhe aconteceu nas regionais mesmo que não tenha agradecido ainda aos deuses que o desaire eleitoral não tenha sido ainda maior.
O JPP por via da aplicação do método de Hondt acabou por eleger os 15º, 31º e 46º mandatos - o quadro publicado ajuda a perceber a realidade eleitoral do JPP nas regionais. Verificamos que o Caniço, apesar de ter sido a pior percentagem do JPP em Santa Cruz foi a freguesia com maior peso na votação do partido no concelho e que Santa Cruz representou mais de 67% da votação global regional do partido. Dá que pensar...
Ou seja garantir  seu espaço, repensar o discurso, abandonar um dispensável fundamentalismo que o tempo tornou lixo - que de ideológico nada tem porque desconhecemos a matriz ideológica do JPP que apenas reclama ser um  partido de esquerda, o que é muito vago - perceber as reais prioridades das pessoas em vez de ir por arrasto em função das notícias nos média e ter o pragmatismo que a política dos nossos e novos tempos exige dos protagonistas, sob pena dos partidos de definharem, seriam na minha opinião prioridades essenciais e mais urgentes.

Nota: JPP atento a "ameaças"?

Uma fonte partidária da oposição, da minha absoluta confiança, confidenciou-me ontem que o JPP continua agastado com a "traição" do PS e está consciente de que os socialistas vão querer conquistar a Câmara de Santa Cruz em 2021. Para além da contabilidade eleitoral para as regionais, essa fonte garante-me que a JPP entende que a principal motivação tem a ver com a disputa autárquica, embora desconheçam se a reportagem da TVI sobre a CMSC teve ou não impacto negativo no desfecho eleitoral do JPP. Admitem fontes próximas da JPP que alguns sectores do eleitorado que têm votado JPP sem se sentirem vinculados a este partido, poderão ter reagido mal ao trabalho jornalístico e sobretudo à forma algo arrogante e desafiante usada por Filipe Sousa nesse trabalho, claramente incomodado e agastado com a interpelação jornalística. O PS-M depois das regionais tentou o "namoro" com a JPP mas sei que Filipe Sousa, curiosamente mais ele do que alguns outros elementos da estrutura parlamentar do seu partido, não perdoa esse envolvimento do PS-M na tramóia, aliás denunciado pela jornalista e Chefe de Gabinete do autarca santacruzense Raquel Gonçalves.
Sendo evidente que a JPP se mostra atenta (?) a ameaças políticas e eleitorais, sendo admissível que a JPP esteja agastada com a golpada de bastidores atribuída ao PS-M e que acredito tenha penalizado o partido em Santa Cruz - e não só - sendo pública a afinidade política e ideológica entre o líder do JPP e outros dirigentes deste partido e o PS - de onde saíram devido a divergências que tiveram a ver com a actividade parlamentar, nomeadamente a rotatividade de deputados eleitos - sabendo-se que Filipe Sousa na noite eleitoral foi claro - "o líder do JPP admite a possibilidade de negociação com o PS. Filipe Sousa diz que há “acordos pontuais” possíveis porque há linhas de orientação comuns. “O PSD já está posto de parte”, sublinha - parece-me plausível que o JPP, independentemente de poder continuar a refugiar-se no seu radicalismo ideológico algo ultrapassado, se sinta neste momento incomodado com várias questões relacionadas com a política regional pós-22 de Setembro e que tenha dificuldade em encontrar o seu espaço próprio - orgulhosamente sozinho? - depois de ter sido prejudicado pela bipolarização à esquerda em benefício dos socialistas. Uma "ameaça" que se manterá, e sentiremos isso de uma forma cada vez mais agressiva, a pensar no desafio eleitoral de 2021, que depois das europeias e das regionais - esperemos pelas legislativas - passam a ser o próximo desafio político e eleitoral de PS e PSD (LFM)

Portugal perdeu 630 milhões de euros devido a transferências para paraísos fiscais

Portugal perdeu 630 milhões de euros em impostos devido às transferências de capital das empresas para paraísos fiscais e outros países com taxas mais baixas. A União Europeia é a região onde as transferências de lucros mais afetam os cofres públicos. O Estado perdeu 630 milhões de euros em receita de IRC, o imposto aplicado sobre as empresas. Dinheiro transferido pelos grupos a operar em Portugal para paraísos fiscais. Representa 11 por cento do total da receita que foi conseguida pelo Estado com este imposto. No total, as multinacionais transferiram lucros de quase três mil milhões de euros. Paraísos fiscais ou territórios com tributação privilegiada. É o caso da Holanda, Luxemburgo, Irlanda, Suíça ou Singapura, para dar alguns exemplos de países "mais amigos das empresas". Os números da perda de receita com IRC constam de um estudo de duas Universidades: Berkeley, nos Estados Unidos e Copenhaga, na Dinamarca. Os dados referem-se a 2016 e são citados pelo Jornal de Negócios. O estudo diz que a fuga das empresas para países com impostos mais baixos não é uma realidade apenas de Portugal. Acontece no mundo inteiro, em particular na União Europeia onde, em média, 20 por cento dos lucros são desviados para paraísos fiscais. A nível mundial as multinacionais colocaram 600 mil milhões de euros nestes países, 10 por cento dos impostos que eram exigidos.

Se nada mudar, PSD e PS ficam com todas as presidências das Comissões Especializadas

Se nada mudar, PSD e PS ficam com todas as presidências das Comissões Especializadas. Obviamente que eu não acredito nisso, até porque regimentos de parlamentos mudam-se em função das necessidades e/ou dos interesses político-partidários em cada momento...

quarta-feira, outubro 02, 2019

A propósito das disposições regimentais sobre as Comissões da Assembleia da Madeira

E quanto as Comissões Parlamentares? (no quadro acima vemos a escolha das presidências, por método de Hondt, em função dos deputados e respectiva ordem de escolha dos partidos)
Artigo 35º
Composição das Comissões
1 - A composição das comissões deverá, no conjunto, ser repartida pelos grupos parlamentares e partidos em proporção com o número dos seus deputados, através da aplicação do método da média mais alta de Hondt.
2 - O número de membros de cada comissão e a sua distribuição pelos diversos partidos são fixados por deliberação da Assembleia Legislativa, sob proposta do Presidente, ouvida a Conferência dos Representantes dos Partidos, salvaguardando o direito de cada partido, a participar no mínimo numa Comissão.
Artigo 39º
Presidência e Mesa das Comissões
1 - Cada comissão terá um presidente, um vice-presidente, um secretário e um relator eleitos por sufrágio uninominal na primeira reunião da comissão, que será convocada e dirigida pelo Presidente da Assembleia Legislativa.
2 - As presidências das comissões especializadas permanentes deverão, no conjunto, ser repartidas pelos grupos parlamentares em proporção com o número dos seus deputados, através da aplicação do método da média mais alta de Hondt.
3 - Para efeitos do número anterior, e sem prejuízo do princípio da proporcionalidade, os grupos parlamentares escolhem as presidências que lhes caibam, por ordem de prioridade, a começar pelo maior grupo parlamentar.
Cenário actual
No final da Legislatura actual (2015-2019), era este o quadro parlamentar ao nível das Comissões:
Comissões especiais
Comissão Permanente - Presidente, Tranquada Gomes  PPD/PSD Presidente do parlamento
Comissão de Regimento e Mandatos - Presidente, José Prada, PPD/PSD
Comissões Especializadas Permanentes (1 do PS, 1 do JPP, 1 do CDS e 4 do PSD)
- 1ª Comissão Permanente de Política Geral e Juventude (outras áreas de competência, Europa, Comunidades Madeirenses, Poder Local e Comunicação Social) - Presidente, Adolfo Brazão, PPD/PSD
- 2ª Comissão Permanente de Economia, Finanças e Turismo (outras áreas de competência, Planeamento, Transportes e Inovação) - Presidente, Carlos Rodrigues, PPD/PSD
- 3ª Comissão Permanente de Recursos Naturais e Ambiente (outras áreas de competência, Agricultura, Pecuária, Pescas e Florestas), Presidente, Roberto Rodrigues, CDS/PP
- 4ª Comissão Permanente de Equipamento Social e Habitação (outras áreas de competência, Ordenamento do Território), Presidente, Avelino Conceição, PS
- 5ª Comissão Permanente de Saúde e Assuntos Sociais (outras áreas de competência, Proteção Civil), Presidente - João Paulo Marques, PPD/PSD
- 6ª Comissão Permanente de Educação, Desporto e Cultura (outras áreas de competência, Ciência), Presidente Rubina Leal, PPD/PSD
- 7ª Comissão Permanente de Administração Pública, Trabalho e Emprego, Presidente, Carlos Costa, JPP
Comissões Eventuais
- Comissão para a Reforma do Sistema Político, Presidente, José Prada, PPD/PSD
- Comissão para Análise das Implicações Materiais do Princípio da Continuidade Territorial, Presidente - Carlos Rodrigues, PPD/PSD
- Comissão para Prevenção e Combate à Violência Doméstica, Presidente - Rubina Leal, PPD/PSD
Comissões Eventuais de Inquérito
- Comissão de Inquérito Às relações financeiras entre o Governo Regional da Madeira e a empresa AFAVIAS – Engenharia e Construções, S.A. - Presidente, Élvio Encarnação, PPD/PSD
- Comissão Parlamentar de Inquérito À Política de Gestão da TAP em relação à Madeira, Presidente, José Prada, PPD/PSD
- Comissão Parlamentar de Inquérito Às listas de espera no SESARAM - Presidente, João Paulo Marques, PPD/PSD
Comissões Extintas
- Comissão de Inquérito à Marina do Lugar de Baixo - Presidente, Élvio Encarnação, PPD/PSD
- Comissão de Inquérito Ao funcionamento da Unidade de Medicina Nuclear do SESARAM - Presidente, Fernanda Cardoso, PPD/PSD e Vice-Presidente do parlamento
- Comissão de Inquérito Aos serviços prestados pelo SESARAM - Presidente, João Paulo Marques, PPD/PSD
- Comissão Parlamentar de Inquérito à Escola Hoteleira - Presidente, José Prada, PPD/PSD
- Comissão Parlamentar de Inquérito ao Banif - Presidente, Carlos Rodrigues, PPD/PSD.
fonte: ALRAM

A propósito das disposições regimentais sobre o Presidente da Assembleia

Porque nunca é demais recordar, o que é que diz o actual Regimento da Assembleia sobre a Mesa do parlamento:
Artigo 13º
Organização
1 - Cada grupo parlamentar estabelece a sua organização.
2 - São incompatíveis as funções de membro da Mesa da Assembleia Legislativa com as de
Presidente ou Vice-Presidente do grupo parlamentar. 
Artigo 18º
O Presidente da Assembleia Legislativa
1 - O Presidente representa a Assembleia Legislativa, dirige, nos termos previstos no presente Regimento, as atividades do Parlamento e dos seus órgãos, e exerce autoridade sobre todos os funcionários e agentes e sobre as forças de segurança postas ao serviço da Assembleia Legislativa.
2 - O Presidente da Assembleia Legislativa substitui interinamente o Representante da República, nos termos do nº 3 do artigo 230º da Constituição, e o Presidente do Governo, nos termos do nº 5 do artigo 73º do Estatuto da Região.
3 - O Presidente da Assembleia Legislativa tem precedência protocolar sobre qualquer outra entidade da Região.
4 - O Presidente dispõe de todos os poderes para executar as deliberações do Parlamento e assegurar o correto desenrolar dos trabalhos.
Artigo 19º
Eleição
1 - As candidaturas para a Presidência da Assembleia Legislativa devem ser subscritas por um mínimo de 5 e um máximo de 15 deputados
2 - As candidaturas são apresentadas ao Presidente da Assembleia Legislativa em exercício até dois dias antes da data marcada para a eleição e devem ser acompanhadas de declaração de aceitação.
3 - Será eleito Presidente da Assembleia Legislativa o candidato que obtiver maioria absoluta dos votos dos deputados em efetividade de funções.
4 - Se nenhum dos candidatos obtiver esse número de votos, proceder-se-á imediatamente a segundo sufrágio, ao qual concorrerão apenas os dois candidatos mais votados que não tenham retirado a candidatura.
5 - Se nenhum candidato for eleito, será reaberto o processo.
6 - A eleição tem lugar em sessão especialmente convocada para o efeito.
Artigo 20º
Mandato
1 - O Presidente da Assembleia Legislativa é eleito por legislatura.
2 - O Presidente da Assembleia Legislativa pode renunciar ao cargo, mediante comunicação à Assembleia Legislativa, tornando-se a renúncia efetiva imediatamente, sem prejuízo da sua ulterior publicação no Diário.
3 - No caso de renúncia ao cargo ou cessação do mandato de deputado, proceder-se-á a nova eleição no prazo de 15 dias.
4 - A eleição do novo Presidente é válida pelo período restante da legislatura.
Artigo 21º
Substituição
1 - O Presidente da Assembleia Legislativa é substituído nas suas faltas ou impedimentos pelo VicePresidente que designar.
2 - Em caso de doença ou impedimento oficial de duração superior a sete dias ou ausência no estrangeiro, o Presidente é substituído por um dos vice-presidentes da Assembleia Legislativa do partido a que pertence o Presidente ou pelo Vice-Presidente que o Presidente designar.
3 - Nas faltas ou impedimentos do Presidente e Vice-Presidentes, a Presidência da Mesa será exercida por um deputado a indicar pelo partido de representação maioritária na Assembleia Legislativa.
Mesa
Artigo 27º
Composição
1 - O Presidente e os Vice-Presidentes constituem a Presidência da Assembleia. 
2 - A Mesa da Assembleia Legislativa é composta pelo Presidente, três Vice-Presidentes, dois Secretários e dois Vice-Secretários.
3 - Dois dos Vice-Presidentes serão propostos pelo maior grupo parlamentar e o terceiro sob proposta do segundo maior grupo parlamentar.
Artigo 28º
Eleição
1 - Os Secretários e Vice-Secretários são eleitos por sufrágio de lista completa e nominativa, proposta pelo mínimo de 5 e o máximo de 15 deputados, com declaração de anuência dos candidatos, considerando-se eleita a lista que obtiver a maioria absoluta dos votos dos deputados em efetividade de funções.
2 - Os Vice-Presidentes são eleitos em lista própria e nominativa, com a declaração de anuência dos candidatos, sob proposta de um mínimo de cinco e máximo de 15 deputados, com a maioria absoluta dos votos dos deputados em efetividade de funções.
3 - O Vice-Presidente proposto pelo segundo maior grupo parlamentar será eleito, com declaração de anuência do candidato, sob proposta de um mínimo de 5 e máximo de 15 deputados, com a maioria absoluta dos votos dos deputados em efetividade de funções
fonte: Regimento da ALRAM

Opinião interessante de Mota Amaral

fonte: Correio dos Açores

Nota: Uma estranha paz pôdre?

A informação que eu tenho, esclareço que não oficial, é que TG poderá abandonar o parlamento madeirense, suspendendo o mandato, mesmo antes de qualquer processo eleitoral que seja determinado pelo acordo PSD-CDS. Neste momento há uma enorme confusão nos bastidores políticos regionais e sei também que provavelmente há partidos da oposição, à esquerda da potencial coligação de governação - e não falo do PS-M - que olham com desconfiança e distanciamento para algumas movimentações. Como sei que alguns meios de comunicação social, melhor alguns jornalistas de meios de comunicação social locais, sabem desta hipótese e não a desenvolvem, a dica, para memória futura aqui fica, mesmo correndo eu o risco - improvável - de ser ultrapassado por outros acontecimentos.
Mais.
Ao contrário do que aparentemente transborda de forma controlada cá para fora, o acordo político PSD-CDS não se limitou apenas à elaboração e aprovação de um esboço desenvolvido daquilo que poderá ser o programa de governo, mas também a uma distribuição de pelouros e ao inevitável jogo de cadeiras em resultado desse acordo político. Há uma enorme indefinição, que aliás esteve presente em todo o processo negocial, e que mesmo que tenha sido "ignorado" (ou não?) pelos protagonistas do acordo, constitui uma ameaça política efectiva ao longo dos 4 anos de mandato, independentemente do PSD ceder em toda a linha ao CDS-M.
Quem segue este jogo de forma muito atenta  é Paulo Cafofo e o PS-M embora dificilmente estes consigam reunir - mas eu acredito que essa lógica não vai funcionar porque há um sentimento generalizado de "ajuste de contas" - apoios à esquerda suficientes, salvo se um  golpe de teatro, que seria absolutamente intolerável e humilhante, garantisse esse jogo puramente aritmético.
Curioso será saber qual a posição do próprio PS-M. Se agastado com o namoro PSD-CDS avança com candidato o próprio para o parlamento - e neste caso Cafofo ou Serrão, ambos licenciados, poderiam ser os candidatos mais naturais - ou se fica de bancada a ver o filme e limita-se a candidatar-se a uma vice-presidência do parlamento a que tem direito.
Sei que o PSD-M vai reunir a Comissão Política segunda-feira, depois das eleições legislativas - desconheço se Barreto, apesar de mandatado pelo CDS-M, vai fazer o mesmo agora com um acordo em concreto - mas o acordo deve passar com base no argumento de que o PSD-M está "entalado" e que é obrigado a ceder ao CDS para se manter na governação, apesar deste ter perdido 4 deputados e mais de 8 mil votos. Embora não tenha participado nessas negociações sei que Miguel Albuquerque tem acompanhado "de perto" todo o processo negocial, quer por via de Pedro Calado que lidera a equipa negocial laranja, quer por via de Medeiros Gaspar, chefe de Gabinete da presidência do Governo. O mesmo acontece com Rui Barreto. Os dois líderes do PSD-M e do CDS-M são, por assim dizer, os "ausentes mais presentes" neste processo negocial, apesar de terem tido 2 ou 3 encontros entre ambos. Mas há pontas soltas que pairam como ameaças e que estão a surpreender os dois partidos e inclusivamente alguns sectores em Lisboa que recordam como tudo se processou pacificamente nos tempos do entendimento PSD-CDS de Passos e Portas (LFM)

terça-feira, outubro 01, 2019

Estudo: o futuro da Segurança Social










fonte: FFMS/Pordata

Eleições regionais-2019: o peso eleitoral do PSD em cada concelho


Eleições regionais-2019: o peso eleitoral de cada concelho no total da votação do PSD na RAM



Eleições regionais-2019: evolução da abstenção


Eleições regionais-2019: evolução do Bloco


Eleições regionais-2019: evolução do PCP


Eleições regionais-2019: evolução do CDS


Eleições regionais-2019: evolução do PS



Eleições regionais-2019: evolução do PSD